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Eleanor Friedberger @ ZdB | 14 de Maio de 2012

Uma franja indie para os descrentes

É interessante verificar que alguns dos outsiders do Vodafone Mexefest Lisboa 2011 regressam, meio ano depois, a Lisboa. Em Dezembro, Eleanor Friedberger deu um óptimo concerto na Casa do Alentejo e Josh T. Pearson idem aspas na Sociedade de Geografia de Lisboa. Agora, na Galeria Zé dos Bois, é óptimo rever Friedberger sem condicionamentos.

O álbum a solo, o único, “Last Summer”, é um discão, um discão que se afasta radicalmente da sonoridade cheia de exploração dos Fiery Furnaces, a sua banda de sempre partilhada com Matthew Friedberger. Essa foi sempre a nossa dificuldade relativamente aos Fiery Furnaces, a maravilhosa possibilidade de nunca os podermos categorizar. E é aqui que entra Eleanor, uma aparada franja indie para os descrentes do género – descrença essa que é legítima, vivemos tempos em que, na cena rock, toda a gente soa a toda a gente. E a verdade é que a norte-americana poderia facilmente cair nessa esparrela.

Mas não, mesmo sem os instrumentos de sopro e alguma percussão presente em disco, esta é música de primeira água – sexy, vertiginosa, imprevisível, bonita. O espectáculo passa pelas canções desse discão de estreia, mas Eleanor também apresenta alguns inéditos. Nos últimos tempos fomos percebendo que as mulheres não têm pejo em pegar na guitarra e criar magníficas canções – St. Vincent, Cate Le Bon. Mas Eleanor é uma outra coisa, é Patti Smith, é Neil Young, é o que quiser quando quiser.

Uma coisa é certa, se algum dia esta miúda achar que falhou a solo, não poderá regressar para a sua ex-banda e pensar que pode voltar a abraçar o sucesso mainstream – simplesmente porque nunca o teve. Estamos descansados.

Fotografia por Graziela Costa. Galeria disponível aqui.



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