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Fan Death

Purpurina para os nossos ouvidos. Moda & Música num affair íntimo entre Marta, Dandillon, Erol Alkan e Ann Demeulemeester.

A ligação entre o mundo da música e o da moda não é nenhuma novidade. Mas uma nova geração de artistas multi-facetados, que se repercutem em diversos meios de expressão, trouxe uma lufada de ar fresco a esta velha ligação amorosa. Longe vão os tempos em que este romance se limitava a colocar as artistas no lugar de musas dos designers

Muitos são os criadores de moda que se inspiram em músicos, tomando o universo musical como exacerbação do vestuário, como é o caso de Ann Demeulemeester, a belga de nome impronunciável que tem por musa e amiga Patti Smith. Mas já não é só disto que se trata. Os próprios músicos são material escrutinado nas revistas de moda. E, claro, não é por acaso.

Para certas bandas, a moda inspira a criação. E este parece ser o caso das Fan Death que, tal como um designer, se apropriam de uma aura emanada pelo passado e a reinterpretam, trazendo para o presente um tal “air du temps”.  O nome Fan Death remete para o mito urbano sul-coreano de que uma ventoinha ligada durante a noite, numa divisão fechada, pode provocar a morte por asfixia, hipotermia ou envenenamento por dióxido de carbono a quem se encontre na divisão. E isto nada clarifica acerca deste duo, sobre o qual, na realidade, pouco se sabe.

A sua música parece envolver-se num manto de tule e lantejoulas, muito retro, misterioso e intenso. Tudo isto antes de prestarmos atenção ao zum-zum que Marta e Dandilion (também conhecida por Dandi Wind) provocam pelo que vestem, um revivalismo disco que se funde com pestanas falsas e penas coloridas. Misturas imprevisíveis de folk, folhos, transparências, lamé e maquilhagem carregada remetem para o patchwork musical que nos propõem. Porque a embalagem também é importante, e porque os olhos também comem.

Se o vestuário provoca impacto, é porque sabem que vai fazer com que a música que criam seja ouvida. E a suavidade retro pop que associam ao que mais facilmente nos faz dançar não deixa a desejar. Muito pelo contrário, o difícil é fugir ao seu misticismo suave, mergulhado nuns licorosos anos 80, filtrados originalmente pelo duo polaco-canadiano. As suas escolhas estéticas reflectem a sua música, tal qual uma disco ball. O que escolhem vestir e o que produzem musicalmente é indissociável. São inspiradoras, quer musical quer esteticamente, criando um mundo onde é fácil encontrarmos refúgio.

São um fenómeno musical com direito a produção e remistura de Erol Alkan, e a um lugar na sua editora, a Phantasy Sounds, assim como na Italians Do It Better. Se isso não chega, veja-se o vídeo do seu primeiro single, Veronica’s Veil, para esclarecer qualquer dúvida. Para já, as terras lusas estão excluídas da tour europeia, portanto não será em breve que verei essas penas e lantejoulas por perto…



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