Festival LER

Festival LER

25 anos da LER celebrados com 25 filmes

Durante seis dias, entre 4 e 9 de Dezembro, o Cinema São Jorge foi palco da primeira edição do Festival LER, que surge a propósito da comemoração dos 25 anos da revista LER. Para além dos 25 filmes que faziam parte da programação, o festival contou ainda com uma série de debates e encontros, assim como três concertos integrados no Vodafone Mexefest.

Os filmes

Na sessão de abertura, foi exibido em antestreia “Pela Estrada Fora”, de Walter Salles, a partir do livro de Jack Kerouac. Com a escolha dos restantes filmes a cargo de Pedro Mexia, e por ordem cronológica, a selecção abrangeu seis décadas de filmes, desde “Matar ou Não Matar” (1950), de Nicholas Ray, até “Poesia” (2010).

Entretanto, pudemos ver também “Deus Sabe Quanto Amei”, um clássico de 1958 realizado por Vincente Minnelli, em que Frank Sinatra interpreta Dave, um escritor problemático que recusa este estatuto até regressar à sua terra natal e encontrar uma professora que o idolatra, incentivando-o a voltar à escrita. No último dia foi exibido “Nostalgia”, de Andrey Tarkovskiy. Neste filme, a personagem principal é um poeta russo em viagem por Itália de modo a conseguir escrever uma biografia de um compositor. Estes dois filmes têm em comum o facto de as personagens principais serem escritores perturbados.

O melhor filme estava guardado para o final com “O Leopardo”, de Luchino Visconti. Adaptado do romance homónimo, este é um dos casos em que a obra cinematográfica supera a obra literária.

À conversa com escritores

Como nem só de filmes viveu este festival, há que destacar alguns acontecimentos, começando pelo encontro com José Luís Peixoto, que decorreu acerca do seu novo livro, “Dentro do Segredo”. Para além de falar deste seu primeiro livro de viagens e ler alguns excertos do mesmo, o escritor mostrou ainda vídeos inéditos da passagem pela Coreia do Norte.

Por sua vez, os escritores Dulce Maria Cardoso e Afonso Cruz foram os protagonistas de um debate desenvolvido em torno da relação dos escritores com o cinema. Falando de adaptações cinematográficas, o debate focou-se na questão da adaptação da obra literária ao cinema, em que o autor tanto pode rejeitar ou legitimar a adaptação que é feita da sua obra. Discutiu-se também a questão da primazia que habitualmente a obra literária tem em relação à obra cinematográfica, trazendo para a discussão exemplos em que o contrário acontece. Um debate interessante, em que os dois autores mostraram muitas vezes estar de acordo em relação às questões que lhes foram colocadas.

No último dia, Carlos Vaz Marques, uma das vozes mais agradáveis do panorama português, conduziu uma entrevista ao escritor António Lobo Antunes. Curiosamente, o escritor foi o primeiro entrevistado após a interrupção que a LER sofreu na sua publicação, por volta de 2008. António Lobo Antunes revelou que já está a trabalhar em mais um livro, após o recente lançamento de “Não é Meia Noite Quem Quer”. O escritor confessou ainda o desejo de escrever sobre arte, teoria da literatura e crítica literária.



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