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“Fingido e Verdadeiro” @ Teatro da Cornucópia

Sala de ensaios ou coliseu romano? “Fingido ou Verdadeiro” é uma questão presente nas várias dimensões desta peça

Primeiro é-nos apresentada a história de Diocleciano, e como este chega a Imperador. Depois a peça centra-se na história do mártir S. Gens, um actor que, a pedido do Imperador, representou a figura de um cristão e acabou por se converter no processo. Parece simples, mas a versão apresentada pelo Teatro da Cornucópia é composta por vários fragmentos que vão enriquecendo a mente dos espectadores, mantendo-os constantemente a questionar a veracidade do que estão a ver. Os momentos de acção alternam-se entre leitura de textos, cenas dramáticas e pequenos apartes como se se estivesse a assistir a um ensaio.

Os actores entram e saem das personagens com o toque de comédia necessário a momentos mais complexos. Os textos de Santo Agostinho, Tertuliano, Louis Jouvet e Jean Genet são declamados, intercalados com comentários brincalhões dos restantes artistas. A plateia é convidada a entrar num meio mais descontraído, onde os intérpretes roubam risos entre cada cena. Esta descontracção, intermitente entre cenas dramáticas, acaba por permitir uma maior atenção por parte dos espectadores durante os momentos mais complexos da história.

Para que a passagem do real para o fingido funcione é necessária uma grande cumplicidade; tal sente-se a cada passo que os intérpretes dão em palco, a cada sorriso escondido, ou na preparação das cenas feita totalmente sob o olhar do público. Esta não é uma peça leve. Do alto dos seus 180 minutos, debate assuntos duros, como a perseguição aos cristãos ou as lutas e mortes pelo poder. Mas a fluidez com que se assiste à proclamação de Diocleciano como Imperador, a um triângulo amoroso no antigo teatro romano ou ao clímax do baptismo de Gens consegue prender o público, enamorado pelas fortes performances.

Fotografia por Sofia Ferreira. Galeria fotográfica aqui.

FINGIDO E VERDADEIRO, ou O martírio de S.Gens, actor

Adaptação de Luis Miguel Cintra de Lo Fingido Verdadero de Lope de Vega – com colagem de trechos da Flos Sanctorum e da História Imperial e Cesárea de Pedro Mexia e citações de Santo Agostinho, Tertuliano, Louis Jouvet e Jean Genet.
Tradução da peça original: Luis Lima Barreto;
Adaptação e Encenação: Luis Miguel Cintra;
Cenário e Figurinos: Cristina Reis;
Desenho de luz: Daniel Worm d’Assumpção
Interpretação: Cleia Almeida, Dinis Gomes, Duarte Guimarães, José Manuel Mendes, Luis Lima Barreto, Luis Miguel Cintra, Miguel Melo, Ricardo Aibéo, Sofia Marques, Tiago Manaia, Vítor de Andrade, Ángel Martin e Rubén Ajo (bolseiros do Programa Leonardo da Vinci da Comunidade Europeia)

De 29 de Março a 29 de Abril no Teatro do Bairro Alto
3ª a Sábado às 21.00h e Domingo às 16.00h



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