“AI AMOR SEM PÉS NEM CABEÇA” @ Teatro da Cornucópia – Fotografia de Nuno César Lomba

“Ai Amor Sem Pés Nem Cabeça”@ Cornucópia

Com ou sem suspiro apaixonado “Ai Amor” não pode viver “Sem Pés Nem Cabeça”.

No Teatro da Cornucópia, em cena de 30 de Maio a 30 de Junho,  “Ai Amor Sem Pés Nem Cabeça”, cruza ironicamente histórias de amor da vida quotidiana sem nunca perder os apontamentos de transição icónica. A peça fala de amores frustrados, também da incapacidade das pessoas amarem, porque há limites sociais, ou porque os homens não sabem falar com as mulheres ou não entendem o comportamento delas. Encenado por Luís Miguel Cintra, a dramaturgia do espetáculo surge da colagem feita de vários textos do teatro de cordel setecentista.

“Propus uma semana de trabalho com os alunos de teatro antes de nos lançarmos a fazer este espectáculo de entremezes” explica Luís Miguel Cintra, sobre a origem do espetáculo em cena. “E o resultado foi a mais estimulante semana de convívio com gente nova que se passou nesta casa. Por causa do seu entusiasmo, porque trabalhámos em dois entremezes de cordel, tão bom material dramático simples. São de facto textos que põem em prática uma simplicíssima e evidente relação do teatro com a vida.”

Referindo-se à peça, com cenários e figurinos de Cristina Reis, Cintra afirma que “este é um espectáculo feito de fragmentos, materiais fáceis, cenas soltas. Vem da arca do teatro de cordel, esse teatro que em Portugal se vendeu na rua, popular porque fala do que toda a gente entende mas nem por isso escrito por “populares”. Excelentes diálogos. São retratos mais ou menos caricaturados de situações do dia a dia. Peças de quarto de hora em que a intriga pouco importa, o que interessa são as situações levantadas. São os pequenos gestos. Que é onde em verdade mais se vê do mundo inteiro”.

A interpretação dos atores Dinis Gomes, Duarte Guimarães, José Manuel Mendes, Luís Lima Barreto, Luís Miguel Cintra, Luísa Cruz, Manuel Romano, Rita Durão, Rui Teigão (estagiário), Sofia Marques, Teresa Madruga, Vítor D’ Andrade, Ana Amaral, Laura Silva (estagiárias da Escola Superior de Teatro e Cinema) não se afastam da abordagem prevista pelo encenador. Cintra realça” Há coisas mesmo que não se podem explicar senão representando. Estão a passar uma interpretação na representação do mundo. E eu acharei mais interessante, quanto mais interessante for a filosofia que me estão a querer passar. O que me interessa é o que pensam sem palavras. Aliás muitas vezes me ajuda este critério: que é que isto, representado por actores e num cenário, acrescenta ao que eu podia perceber se só lesse a peça escrita? E não são precisos grandes momentos nem situações muito extraordinárias. Em qualquer material, no fundo, se joga a vida de um actor”.

No aniversário dos 40 anos da Cornucópia, Cintra ressalva “É como tudo, é no muito pequeno que se passa o muito grande. E numa aldeia as pessoas têm cara. Conhecem-se. Enfrentam-se. Não podem negar aquilo a que se chama amor, ou desamor. Somos uma família. E eu diria que felizmente. “

 

De 30 de maio a 30 junho no Teatro Cornucópia
3ª a Sábado às 21.00h e Domingo às 16.00h

 

 

 

 

 

 

 

 



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