Fuck Buttons

Fuck Buttons

Galeria Zé dos Bois, 10 de Outubro

Eram quase 23h quando cheguei à Zé dos Bois. O movimento já era muito, dentro e fora no número 59 da Rua da Barroca. Muitos tentavam ainda arranjar um bilhete. No pátio que separa o bar da ZdB do aquário, Andrew Hung estava tranquilamente sentado, enquanto navegava pela net no seu portátil. Já Benjamin John Power, conversava descontraidamente ali por perto.

Com o passar do tempo a expectativa começava a sentir-se no ar. Era quase palpável. Casa cheia na ZdB. A temperatura no aquário começava a subir à medida que a sala ia enchendo e alguma impaciência ia tomando conta dos presentes.

Um pouco antes da meia-noite Andrew Hung e Benjamin John Power tomaram de assalto a sala lisboeta. Posicionados frente a frente, à primeira vista até poderia parecer que se estavam a preparar para um despique. Um combate sonoro de beats e programações. Claro que não era o caso. A comunicação do duo inglês em palco já dispensa o uso das palavras na maioria dos casos, tamanha a cumplicidade que revelam entre si.

O concerto teve início ao som do primeiro avanço de “Tarot Sport” (prestes a ser editado), «Surf Solar», e não poderia ter sido melhor. Às primeiras batidas os copos começaram a agitar-se e, inevitavelmente, os corpos a transpirar. Com um alinhamento equilibrado entre os dois álbuns, os Fuck Buttons ofereceram exactamente aquilo que se esperava deles: uma explosão de som. O noise está sempre lá. Mas há mais. Sons tribais e alguma percussão (Benjamin John Power encarregou-se disso e de que maneira!). Depois existe aquela componente melódica que caracteriza os Fuck Buttons e que concede aos seus temas uma força e matriz muito próprias. Óptimo. Os corpos não paravam quietos por um momento. Houve palmas mas nem foram muitas. Em primeiro lugar porque seria um desperdício de energia. Em segundo lugar porque nem havia muito tempo para aplaudir. Terminada uma descarga sónica, já a seguinte se ia fazendo ouvir.

Lá fora, na rua, a prestação dos Fuck Buttons ia passando despercebida. A capacidade de isolamento do som tinha de ser óptima.

Durante o concerto foram várias as vezes em que o nome dos Underworld me passou pela cabeça. Born Slippy foi um hino para muitos e ainda o continuará a ser com certeza. Os Fuck Buttons também os começam a ter… Aquele final, já no único encore oferecido pela dupla, ao som de «Sweet Love For Planet Earth» foi algo de único, memorável.

A forma como as músicas de Hung e Power ganham força ao vivo, quando comparadas com o registo de estúdio, impressionam. Deixam a sua marca em quem as ouve. O som que ia saindo pelas colunas parecia uma entidade viva…

Uma hora e tal depois de ter começado, o concerto chegava ao fim. Na cara dos presentes havia um elemento comum: o sorriso. Foi uma estreia memorável dos Fuck Buttons em Lisboa. Uma coisa é certa: a porta para o seu regresso não ficou aberta… ficou escancarada!

A abrir esteve Bruno Silva, com o seu projecto Ninjas! Que não deu para ver mas deu para para ouvir, em virtude da forma de actuação, que alternou entre estar de joelhos e estar de cócoras. Diga-se que cumpriu o seu papel na perfeição, abrindo caminho para o furacão que se seguiu.

Fotografia por Vera Marmelo.


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