Gangsters da Velha Guarda

“Gangsters da Velha Guarda”

O que faríamos na última noite das nossas vidas?

Carpe Diem. As famosas palavras do poeta Horácio, imortalizadas em forma de poema, transformaram-se para muitos numa filosofia de vida. Aproveitar o dia de hoje na sua totalidade, sem reservas, porque o tempo é valioso e escasso e o amanhã incerto. Levada ao extremo, tal maneira de ver a vida levanta uma questão chave: o que faríamos se nos dissessem que hoje é o último dia das nossas vidas? É a busca pela resposta que alimenta a narrativa de “Gangsters da Velha Guarda”.

Após 28 anos na prisão, Val (Al Pacino) está de volta ao mundo dos vivos. À sua espera está o antigo companheiro de crime Doc (Christopher Walken), trazendo com ele más notícias: Claphands, o chefe criminoso local (Mark Margolis), não perdoou Val por ter matado o seu filho e após 28 anos de espera decidiu que está na altura de ajustar contas. Pior ainda: o homem escolhido para o trabalho é o próprio Doc, que tem até às 10 horas da manhã seguinte para matar o melhor amigo. Está assim dado o mote para uma noite inesquecível.

Doc decide realizar todos os desejos de Val nas poucas horas que lhe restam como um derradeira demonstração de amizade. Juntos decidem resgatar Hirsch (Alan Arkin), o terceiro membro do ex-gang, do lar onde está internado.

Com o grupo completo (um condutor, um louco e um equilibrado), partem para uma noite recheada que inclui danças com mulheres 30 anos mais novas, consumo de medicamentos para o coração, um par de visitas à mesma casa de prazeres, mais consumo de medicamentos para o coração, roubo de carros, resgate de reféns e um funeral, prova de que os medicamentos para o coração não são infalíveis.

É algures pelo meio destas aventuras que nos apercebemos da maior virtude de “Gangsters da Velha Guarda”: o elenco reduzido mas sublime. É também nesse momento que nos damos conta do seu maior defeito: a fraca utilização do talento à disposição do realizador.

Apesar de um final bastante competente, que acrescenta profundidade às personagens principais, a verdade é que o filme vive quase exclusivamente à custa da química perfeita entre os actores, capaz de tornar uma narrativa fraca num conjunto de cenas que nos prendem ao ecrã.

Para aqueles que ainda estão a pensar se vão ou não ver “Gangsters da Velha Guarda”, basta responderem à pergunta: “Quero ir ver hora e meia de Al Pacino e Christopher Walken?”. Para a esmagadora maioria dos fãs de cinema a resposta só pode ser “Sim, muito obrigado”.



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