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“Génese” de Robin Cook

Quando o fim é também o início

Génese, de Robin Cook (Bertrand, 2021) é um thriller alucinante que vai envolver o leitor nos meandros da medicina legal e ciências forenses. Uma morte, aparentemente como tantas outras, vai revelar-se um dos maiores desafios da Dr. Laurie Montgomery e da sua médica estagiária.

Assim, nesta desagradável noite de Nova Iorque, tinha sido iniciado um dos milagres mais espantosos do universo tal como o conhecemos: a génese humana.

Robin Cook, médico e autor de mais de 30 livros, conhecidos a nível mundial, e bestsellers do New York Times, é considerado o pai do thriller médico. Como tal, não é surpresa alguma que Génese siga o caminho triunfante das obras anteriores.


Prolífero na sua escrita extremamente atenta aos detalhes, e nas suas descrições das personagens, situações e acontecimentos em seu entorno; transpõe para as páginas do livro o seu vasto conhecimento médico aliado à ficção.

O enredo de Génese é cativante, emocionante, e transporta o leitor para aquele mundo. O leitor sente-se um espetador na primeira fila.


Cook aborda neste livro as técnicas mais recentes de ADN, concretamente, as das bases de dado ancestrais (websites), os pós e contras de usar esse método para apanhar o assassino e o resultado que advém de tal escolha.


O 12º livro desta saga, tem Laurie Montgomery e Jack Stapleton como intervenientes principais. Os dois estão agora casados, são pais, e Laurie é a superior do seu esposo no Instituto de Medicina Legal (OCME – Office of Chief Medical Examiner) .


Em simultâneo aos seus problemas diários/pessoais, existe o fio condutor desta história.

A voz de Kera começou a esmorecer à medida que se deixava cair lentamente para trás, com a cabeça apoiada nas costas do sofá. Tinha os olhos fechados, a boca aberta e a respiração a abrandar.

A vítima na mesa de autópsias é uma jovem assistente social de 28 anos. À primeira vista, o caso parece simples, Kera Jacobsen morreu vítima de uma overdose de opiáceos.


Mas o que parecia um caso resolvido, toma proporções mais intensas quando a nova patologista residente, a Dra. Aria Nichols começa a autópsia.

Foi a vez de Laurie hesitar enquanto se debatia com a vontade de se limitar a dar meia-volta e sair, desistindo desta mulher. Reconhecendo que não estava com a melhor das disposições (…), Laurie contou mentalmente até dez, inspirou fundo, interrompeu o concurso juvenil de quem desviava os olhos primeiro que tinha estado a alimentar e dirigiu-se para um dos cacifos. Despiu a bata médica, branca e comprida, que geralmente usava no OCME. Depois de a pendurar, voltou-se outra vez para a mulher, que continuava a fixá-la com o mesmo sorriso impudente.

Aria Nichols é considerada uma pessoa desrespeituosa com os seus pares, conflituosa e arrogante, mas Laurie não pode negar o seu talento.


Aria descobre que Kera estava grávida de 10 semanas e que, segundo os amigos e familiares da mesma, esta nunca havia usado drogas.


Para complicar a situação, a administração do hospital, onde Kera trabalhava, está a exercer alguma pressão, ao requer que tudo fique no silêncio dos deuses, e ninguém sabe, nem imagina, quem é o pai da criança.


Laurie tem as suas dúvidas em relação ao caso, mas Aria está decidida a descobrir a verdade, punir o culpado e trazer justiça para as ambas as almas que repousam na morgue.


Para atingir o seu propósito ela não vai deixar pedra sobre pedra, fazendo muito barulho pelo caminho.

No vestiário, gabou-se de que a patologia forense nos dava a oportunidade de ouvirmos os mortos contarem as suas histórias. Estou a ouvir esta mulher – disse Aria – e ela está a dizer-me alto e bom som que há qualquer coisa que não está certa em Camelot e eu tenciono descobrir o que é.

Quem será o pai da criança? Terá ele mão na morte de Kera e do bebé?


O uso da base de dados de ADN é uma mais valia ou uma invasão de privacidade?


Conseguirá Laurie gerir as complicações laborais com as situações pessoais?


E valerá a pena a persistência de Aria? Conseguirá ela descobrir o verdadeiro culpado e levá-lo à justiça?


Génese, de Robin Cook é um thriller que leva o leitor a questionar tudo e todos. Uma batalha moral (e legal) entre a privacidade de um vs a justiça para as vítimas.



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