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G.I. Joe

Yooooooooooo Joe!

Sem dúvida que muito marmanjo que hoje está nos seus vintes e trintas passou vários intervalos na sua escola primária rodeado de soldadinhos articulados conhecidos com G.I. Joe. Possivelmente, se o irmão mais novo não se encarregou de os destruir, ainda os tem guardados numa caixa de sapatos lá no cimo do armário.

A linha de bonecos de 3,75 polegadas debutou em 1982 (aqui em Portugal eram colocados à venda só a partir de 1987), mas engane-se quem pensa que os G.I. Joe surgiram apenas nos anos 80. Em 1965, Don Levine, director criativo da companhia Hasbro, motivado pelo sucesso que a boneca Barbie estava a ter, decidiu criar um equivalente para rapaz. Surgiu assim o G.I.Joe, de 12 polegadas, um soldado que pedia o nome emprestado ao filme clássico de 1945 “Story of G.I.Joe”, que se revelou imediatamente sucesso de vendas. No início dos anos 70, graças ao conflito do Vietname, a Guerra perdeu a sua piada. Assim, o GI Joe deixou o exército para trás e passou a dedicar-se à aventura e exploração com a sua “Adventure Team” até 1977. Nesta altura, com o êxito do filme “Star Wars”, a temática sci-fi era sinónimo de vender bem.

A Hasbro tentou assim um novo formato com um tema espacial e figuras encolhidas para 8 polegadas, numa linha que colocava o G.I.Joe (agora Super Joe) a combater seres espaciais. A linha acabaria por ser cancelada em 1978.

Em 1982 deu-se o regresso triunfante. Copiando o tamanho das  figuras de acção de 3,75 polegadas da bem sucedida linha de brinquedos de Star Wars, o G.I. Joe passou de personagem individual a equipa militar, ganhando o subtítulo de “A real american hero”. Para ajudar à promoção desta nova linha de brinquedos foi produzido um seriado pela Sunbow (e mais tarde pela DIC, que foi transmitido por cá, dobrado no nosso português), e a Marvel criou um Comic Book, adaptando aos brinquedos a ideia de Larry Hama (Wolverine, Elektra) de produzir um título sobre uma equipa militar liderada pelo filho de Nick Fury com um armamento altamente tecnológico.

Os G.I Joe combatiam os Cobra, e o seu comandante, que pretendiam dominar o mundo ao bom estilo dos ditadores da história. Os brinquedos dividiam-se entre as já mencionadas figuras e, agora que o tamanho assim o permitia, uma boa dose de veículos e playsets para acompanhar. Cada personagem era devidamente individualizada por um cartão com a sua biografia (também referido como filecard, escrito por Larry Hama), impresso na parte de trás do blister do brinquedo, que a criançada era encorajada a recordar e a guardar.

Os acessórios incluídos também eram importantes para a caracterização e eventual sucesso da linha, já que era possível através destes identificar a especialidade do personagem em questão. Assim Doc, o  médico, vinha equipado com um flare launcher e uma maca; Zartan, o mestre dos disfarces, acompanhava-se de uma máscara e Destro, o traficante de armamento, incluía na sua mala armas de fogo.

Se no início a temática utilizada era militarista, a ficção científica foi, com o passar dos anos, tomando conta da linha, facto que muitos fãs acusam ser o responsável pelo declínio e cancelamento desta em 1994. Pelo meio ficaram várias personagens icónicas tornadas autênticas referências pop culture, como o caso do ninja comando Snake Eyes, o da vilã Baroness, e duas figuras baseadas em personalidades de carne e osso, o lutador de wrestling Sgt, Slaughter, e o jogador de futebol-americano William “the Fridge” Perry (Silvester Stallone, no papel de Rocky, seria a 3ª personagem a passar do mundo real para esta linha, tendo a sua figura sido cancelada, o que não impediu que o seu inimigo aliado do Cobra, com o curioso nome de Big Boa, fosse lançado).

O sucesso da linha permitiu ainda que esta incorporasse personagens do êxito dos videojogos “Street Fighter 2”. Alguns dos elementos não envelheceram tão bem como o Raptor, o treinador de falcões dos Cobra vestido de pássaro gigante, e os Dreadnoks, o gang motard “Mad Max meets Top of the Pops”, aliado dos Cobra, sendo no entanto recordados pela sua componente caricata e algo kitsch.

O cancelamento da linha foi seguido de algumas adulterações do brand G.I. Joe (G.I. Joe Extreme vem à mente), mas no decorrer do ano de 1997, ao perceber que muitas das crianças que outrora brincaram com estes soldadinhos se encontravam agora na idade adulta, e que o revivalismo dos anos 80 começava a manifestar-se, a Hasbro decidiu relançar a linha com edições de coleccionador. Ainda que produzidas em quantidades limitadas, o sucesso obtido por esta e pelas seguintes edições especiais permitiu que a série voltasse a ser distribuída massivamente a partir de 2000, podendo assim ser adquirida não apenas por coleccionadores mas por uma nova geração de crianças.

Aqui em Portugal, a linha começou por ser apresentada como “Action Force” (nome Europeu, derivado do designação que o G.I. Joe original possuía na Europa, “Action Man”) onde se substituíam as origens norte-americanas das personagens por localizações internacionais. Tal conceito acabou por ser descartado ao fim de três anos.

Durante os anos 80, as campanhas promocionais de brinquedos por cá eram fracamente executadas. Não existia interacção entre grelha televisiva e distribuição de brinquedos já que, se por um lado eram apresentados desenhos animados (ou “20 minute comercials” como muitas vezes estas séries são referidas)de linhas inexistentes no nosso mercado, como Thundercats ou Centurions, por outro os G.I. Joe eram vendidos sem o importante apoio inicial do cartoon (anos mais tarde, perto do fim da linha, este foi transmitido pela SIC). O comic book da Marvel também não chegou às bancas portuguesas, apesar de ter sido produzida uma versão europeia, com uma história mais internacional. Ainda assim, a linha conseguiu o seu lugar ao sol, equiparando o seu sucesso a brinquedos que possuíam o suporte televisivo e impresso como os Masters of the Universe e os Transformers.

O êxito desta linha tornou-se também, para muitos admiradores, seu nemesis, já que esta acabou por receber o tratamento pouco cuidado com vista a capitalizar numa das coisas mais bonitas que guardamos: as memórias de infância. Na primeira metade da década de 2000, a Hasbro apostou na quantidade ao contrário de qualidade (durante a nova vaga de G.I. Joe a Hasbro criava por ano o triplo dos modelos que criava nos anos 80). As figuras modernas careciam do carisma e detalhe das personagens antigas, com membros desporporcionais e acessórios atribuídos por sorteio. E como todos os franchises de sucesso dos 80’s, também o G.I. Joe mereceu recentemente uma adaptação no cinema, com uma qualidade e ambição tal que decerto acabará dentro de 6 meses no cesto de promoções.

Apesar de todas estas falhas, e ainda que qualquer G.I. Joe, filme ou série de animação lançado hoje, por mais bem executado que seja, não consiga causar o mesmo impacto que na nossa infância, a linha permanecerá na memória de todos como um daqueles pormenores dos anos 80 que, juntamente com o Cubo de Rubik, o Commodore 64 e o Family Ties vale a pena recordar.

Now you know, and knowing is half the battle!



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