“História Breve da Humanidade” | Yuval Harari

“História Breve da Humanidade” | Yuval Harari

Quando a História passada se transforma num alerta futuro

Yuval Harari é historiador, investigador e professor de História do Mundo na Universidade Hebraica de Jerusalém. Doutorado em História pela Universidade de Oxford, tem-se dedicado a ensinar de uma forma que encoraje os alunos a questionar os conhecimentos e ideias que têm por garantidos, sejam sobre a vida, o mundo ou a humanidade.

Actualmente, a sua investigação incide sobre a relação entre a história e a biologia, a ética da história e a história da felicidade e do sofrimento. Neste campo, a edição de “História Breve da Humanidade” (Vogais, 2013) é um excelente exemplo do estilo entusiasmante de Harari que, em 2012, lhe valeu o Prémio Polonski para Criatividade e Originalidade nas Disciplinas de Humanidades.

O livro, que começa por nos situar no nascimento da física, da química, da biologia e da história, está estruturado em quatro partes, cada uma delas correspondendo a um salto evolutivo da humanidade: a Revolução Cognitiva, a Revolução Agrícola, a Unificação da Humanidade e a Revolução Científica.

Harari defende que o Homo Sapiens conquistou o mundo graças, acima de tudo, à linguagem, traçando uma história breve da humanidade que, mais do que apresentar a evolução numa linha temporal imaculada, lança inúmeros reparos e questiona, acima de tudo, se o poder excessivo como espécie não nos atirará para um poço sem fundo: «Existirá algo mais perigoso do que deuses insatisfeitos e irresponsáveis, que não sabem o que querem?»

Ao longo de mais de 400 páginas, Harari avança sempre com desconcerto, consciência social e espírito humanista: defende que a maior parte das leis, normas e direitos que definem a masculinidade e a feminilidade refletem a imaginação humana, mais do que uma realidade biológica; que a religião foi uma das mais importantes revoluções da história para a unificação da humanidade, assim como o dinheiro; pergunta-se o que acontecerá quando a espécie esgotar as matérias-primas e a energia do planeta; aponta a discrepância entre êxito evolutivo e sofrimento individual, referindo a criação do gado como uma das primeiras formas humanas de tortura; fala do cristianismo, da democracia e do capitalismo como ordens imaginadas; avança para a ideia de um mundo em extinção, onde de um novo dilúvio apenas sobreviverá a espécie humana (todos os dias há espécies que desaparecem e outras ainda mais ameaçadas).

Para o final, Yuval Harari reserva a sua interpretação da história, avançando que temos estado a olhar para a evolução do pior ângulo: «A maior parte dos livros de história concentra-se nas ideias dos grandes pensadores, na contagem dos guerreiros, na piedade dos santos e na criatividade dos artistas. Têm muito para contar acerca do tecido social e do desfiar das estruturas sociais, sobre a ascensão e a queda dos impérios, acerca da descoberta e da disseminação de tecnologias. No entanto, nada dizem sobre como tudo isto influenciou a felicidade e o sofrimento dos indivíduos. Esta é a maior lacuna na nossa compreensão da história. É melhor começarmos a preenchê-la.» Um livro polemicamente fascinante.



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