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“Houdini” e “PMA”

Duas exposições na Møbler: "Houdini", com ilustrações de Bráulio Amado e "PMA", fotografia de Bráulio Amado, Pedro Geraldes e Ricardo Filho de Josefina. A visitar até 19 de Janeiro de 2013

New York! New York! New York!

Três vezes. Sim, são três os olhares sobre a cidade que nunca dorme. São três aqueles que, por entre o mobiliário vintage da Møbler, nos aguardaram para partilhar connosco um pouco mais sobre as duas exposições que estarão visitáveis já a partir de dia 28: “Houdini” e “PMA”.

Braúlio Amado começou por “brincar” com o PhotoShop, a fazer algumas coisas para bandas. Percebeu logo qual era o caminho que queria trilhar. Ainda em Portugal, estudou design e não gostou. É a ilustração que o apaixona. Acabou por ir parar a Nova Iorque com uma bolsa de estudos e fez de tudo para não mais de lá sair. Actualmente é um freelancer que explora mundos que vão além do design e da ilustração.

Pedro Geraldes diz sempre ter gostado de fotografia. Tirou um curso de Engenharia de Telecomunicações e Informática. Não era esse o percurso. Está actualmente a tirar o Mestrado em Multimédia, na vertente de som. Trabalha em multimédia, sites, aplicações. É freelancer. Faz riffs, faz beats. Tem uma relação estreita com a sua guitarra em Linda Martini. Vai-lhe sempre sobrando um espaço para a música.

Ricardo Filho de Josefina conheceu o Bráulio e o Pedro num mundo que lhes é comum: o do Punk e do Hardcore. Gosta de fotografia mas não a vê como paixão. Faz dela a forma de guardar os momentos. “Fui comprando máquinas, acumulando máquinas.”. Há cerca de dois anos tornou esta faceta mais activa, tendo apresentado exposições em nome próprio.

Bráulio vive em Nova Iorque. Ricardo já lá tinha ido. Pedro nunca lá tinha estado.

Das conversas sobre Nova Iorque a aviar as malas foi um breve passo para Ricardo e Pedro. Foram munidos do manancial de máquinas fotográficas para registar o momento. Ficaram duas semanas em Brooklyn. Pedro diz-nos que “é viver aquela realidade que estamos habituados a ver nos filmes. Já é algo que nos é muito próximo. Mas ao mesmo tempo chegas lá e ‘Aahhhhhhhhh! Estás mesmo aqui, isto é mesmo real!’ Olhas para aqueles prédios enormes…”. “Recordo-me que a reacção que o Pedro teve foi a mesma que eu tive. Sais do metro e ficas a olhar assim para cima, a acreditar na imensidão dos prédios. É o choque”, acrescenta Ricardo.

A “PMA” (Positive Mental Attitude) enquanto exposição é, segundo palavras do Pedro, “uma celebração da nossa experiência, da nossa amizade”. A fotografia é um dos elementos que têm em comum. Dos três olhares resultam três perspectivas fotográficas bastante próprias. Nenhuma delas segue o cliché turístico. Bráulio, já habituado ao frenesim e grandiosidade da cidade, centrou-se um pouco mais em festas, música, cultura, aspectos que foram fazendo parte do seu quotidiano: “Quando fui para lá, na primeira vez, tinha mais fotografias de edifícios. Para marcar a diferença entre nós os três, escolhi coisas mais locais, que só mesmo acontecem em NY”. “Queremos partilhar com as pessoas como foram os dias, o ambiente que nós vivemos”, refere Ricardo. O olhar fresco de Pedro sobre a cidade complementa “Pá, por acaso das fotografias que escolhi até tenho algumas mais ligadas à natureza, que não será, possivelmente, a coisa mais directa em NY. Mas não íamos só fotografar táxis e edifícios”. Segundo Ricardo, foram “tirando fotos e nem sequer tínhamos pensado em nada disto”. O resultado das fotos convenceu-os a reunirem-nas e partilhá-las. Mesmo ainda antes de as terem visto todas. O ambiente urbano da cidade que nunca dorme já habita as paredes e o chão da Møbler. Por agora, estão dispostos a levar a “PMA” e NY a “todos os espaços que nos quiserem”. E, quem sabe, uma roadtrip nas montanhas poderá dar azo a uma sequela.

“HOUDINI”

A par da PMA será também inaugurada uma exposição de ilustração, mérito exclusivo de Bráulio Amado. “Tudo surgiu com o convite para fazer uma exposição em Denton, no Texas”, em Janeiro de 2012. O facto de ser no início do ano ajudou a ditar que circulasse durante doze meses por doze cidades diferentes. “Houdini” já percorreu um caminho que a levou a Denton, Boston, Guimarães, Caldas da Rainha, Porto, Nova Iorque, Chicago, Berlim, São Francisco, Filadélfia e Madrid. Chega, finalmente, a Lisboa.

“Queria fazer algo que se sentisse que fosse meio ambulante. Nada exorbitante. Não há molduras. Só serigrafia, papel reciclado, duas cores. Algo muito simples que me permitisse também, caso não pudesse ir a algumas cidades, enviar para exposição e que resultasse na mesma. São 9 serigrafias, estão todas ligadas. E a ideia é mesmo viajar, mandar para o maior número de sítios possível. ”

A Møbler surge aqui como escolha “exactamente por poder usar um espaço que não é uma sala de exposições mas fazer uma exposição lá”. Alguns dos outros espaços eram galerias mas a maior parte eram lojas de discos, eventos de fanzines… seja o que for! Qualquer espaço era útil para fazer uma exposição.

O conjunto de serigrafias estará também reunido numa publicação editada pela Sleep City e pela Watdafac Gallery, disponível para aquisição na exposição.



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