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Inshadow 2010

O Corpo é a mensagem.

Livros que caem no soalho de madeira, bancos que se arrastam  sozinhos e corpos que ficam suspensos no ar. Mais do que um vídeo de suspense, “Derrière Elle” é um exercicio sobre o movimento, a repetição e o corpo enquanto matéria-prima. O vídeo, uma co-produção entre a França e a Bélgica que junta as bailarinas Natalia Sardi e Laida Aldaz, foi o grande vencedor da segunda edição do InShadows – Festival Internacional de Vídeo, Performance e Tecnologias.

O vídeo foi apresentado logo na primeira sessão de competição do festival e um dos melhores a nível técnico. Com uma atmosfera pesada, que remetia para os filmes de terror japoneses, “Derrière Elle” conta-nos uma história de suspense, em que raparigas vestidas de preto são puxadas por alguém ou por alguma coisa. Ficamos sem saber e o que permanece  na nossa retina são as imagens daqueles corpos anónimos sugados por entre portas. O essencial não é narrativa, mas sim a matéria-prima do filme: o corpo, o movimento e a repetição, elementos aqui em estudo. O filme ganhou dois prémios nas categorias de Melhor Filme e Melhor Filme Internacional. Destaque ainda para “Admit One”, de Steve Woods (Irlanda) na categoria de Melhor Intérprete Masculino para Ashley Chan e com direito a uma menção honrosa. “Peep Show”, de Robert DeLeskie (Canadá) foi elegido pelo público como Melhor Filme em Competição e recebeu também uma menção especial pela criatividade coreográfica e tecnológica, assim como os vídeos “La boule d’or” de Bruno Deville (Suíça) e “Maõs” de Lyen Vass (Brasil).

Mas a produção portuguesa não passou despercebida e teve também direito a prémio, nomeadamente “Hannah” de Sérgio Cruz para Melhor Realizador Português e “Ténue” de Nuno Neves escolhido para Melhor Filme Português.

O espectador no centro da acção

Mas nem só de filmes viveu o InShadows. O festival contou também com momentos de interacção entre o público – não massivo, mas sobretudo fiel – e os artistas através de performances e instalações. «Queremos que comuniquem uns com os outros pessoalmente e deixem as vossas mensagens uns aos outros, mesmo que não se conheçam. Como se estivessem no Facebook». O desafio foi lançado logo na abertura do InShadows pelos Espacialistas. O colectivo de arquitectos apareceu silencioso no foyer do Teatro São Luíz. Vestidos de branco da cabeça aos pés e com máscaras brancas, os elementos do colectivo incitaram o público, que se reunia à espera para assistir à performance,  a fazer parte dela. Os Espacialistas distribuiram uma máscara a cada um e levou-os a conhecer o outro lado dos espaços do São Luíz. Em grupos de quatro, os espectadores foram levados para os camarins e foram-se tornando, a medo, peões de um jogo de espelhos. Cada um via a máscara do outro, podia escrever nela como se de uma folha de papel se tratasse, mas não se via a ele mesmo. No final, o efeito surpresa foi revelado e transformado em exposição.

A performance foi apenas um aperitivo para o primeiro vídeo em exibição: “A espessura da visão”. Filmado de cima num plano único, um bailarino dentro dem saco plástico no fundo de um túnel simula os movimentos da retina no que nos parece ser um olho gigante na tela. Mas espalhadas pelo Teatro podiam encontrar-se também instalações. Uma à entrada da casa de banho, outra nos bastidores do São Luíz, pronta a surpreender quem por lá passasse.

Em estreia absoluta, esteve a performance produzida por Silke Z e Resistdance da Alemanha. “Private Spaces” mistura o teatro, a dança e o vídeo para falar sobre o corpo amoroso. Um bailarino e uma bailarina apaixonam-se, e a plateia circular testemunha todos os actos desse sentimento. Primeiro interagindo e tocando nos bailarinos, depois observando cada discussão do casal, cada conflito, cada abraço, cada beijo. Alguns momentos do espectáculo são intercalados com imagens de vídeo projectadas à volta do palco. “Private Spaces” conseguiu ser um dos momentos mais divertidos e bonitos de todo o festival.



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