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“Little Shadow”

Um hino à imaginação dos mais novos

Ao 4º dia do InShadow, o festival abriu as portas a crianças em busca de novas formas de se estimularem. Esta secção pretende promover “a imaginação e reflexão crítica em quatro experiências práticas em torno da construção de noções estéticas”, como afirma a organização, Vo’Arte. São quatro experiências artísticas “que pretendem sensibilizar os participantes para diversas áreas artísticas, da imagem à palavra, movimento e música, despertando sensitivamente para novas linguagens e abordagens de diferentes artistas à sua prática”.

Enquanto uns subiam as escadas, outros desciam, enquanto outros brincavam com a luz, outros cantavam. Foi assim, num ambiente cheio de entusiasmo e de alegria, que os mais novos entraram no Teatro São Luiz e deram vida ao Teatro da Cidade. A sombra foi o tema do dia.

A primeira paragem era com Rosinda Costa, actriz e criadora que tem colaborado com a CiM – Companhia Integrada Multidisciplinar, MãoSimMão, Teatro do Vestido, Teatro O Bando, entre outros. Foi com ela que esta viagem se iniciou. Aqui, “o teatro é um lugar onde se usa da ficção sem perder o compromisso com a realidade. As sombras só existem quando alguma coisa se coloca à frente da luz.” Rosinda mostrou ao seu público infantil histórias que “serão as sombras que vão surgir ao navegarmos pelo contexto histórico do Teatro Municipal São Luíz e também do nosso País”. E como este ano o Brasil é o País convidado do Festival InShadow, mostra-se a herança histórica do País. Foi uma aventura criativa de revisitar a História e adicionar ficção, com um pouco de poesia teatral à mistura.

Depois da excitação inicial, as crianças têm de se acalmar. E foi assim que se passou para uma outra sala, escura, onde as lanternas e um projector eram a única luz presente. Aqui, foi a biodiversidade do Brasil o foco desta oficina, onde “conduz-se para a importância da evolução da natureza humana e da possibilidade de coexistência pacífica entre o homem/homem e homem/natureza.” Foi aqui que todos aprenderam um pouco mais sobre a floresta Amazónia, e onde conheceram alguns dos seus habitantes. Uma oficina com sucesso, onde as crianças desenhavam, criavam e interpretarvam, com base em materiais menos convencionais e provocando uma experiência multissensorial, a partir de ambientes/formas projectadas que vão sugerir aos participantes desenhar interiormente e exteriormente com o próprio corpo. No final, levaram uma recordação para “materializem a memória”, em pequeno quadrados pretos de papel. Este projecto é da autoria de Marina Palácio, criadora da Massa Folhada, uma colecção de livros e objectos de tiragem limitada.

Depois da luz veio a fotografia. Orientados pelo fotógrafo David Infante, esta foi uma etapa de formação e pensamento em imagem. Aqui, o fotógrafo mostrou três tipos de câmaras fotográficas para ilustrar uma breve conversa acerca da formação e evolução da imagem. Um espaço maioritariamente de discussão e reflexão, através de provas do autor em formato reduzido, com base na ideia de que há muito mais na fotografia que o simples “disparar” no botão da câmara. O fenómeno da luz é essencial no processo fotográfico, no qual as sombras ganham muita importância. David Infante tem também uma exposição patente no Módulo – Centro Difusor de Arte, associada ao Festival InShadow.

E a viagem termina com Leandro Bonfim. “A sombra, o corpo e o som”. Nada melhor do que a sinopse desta oficina para perceber do que realmente se tratou: “a nossa vida actual, em que a comunicação se sobrepõe à experiência, vida 2.0, criou uma cultura do remix no universo da música. Nada se cria ou sequer se copia. Apenas se empilha. Propomos aos estudantes e à sua sede de experiências, uma vivência do “desmix”. No sentido do essencial, do orgânico. Do que é o elemento primeiro da mistura. Mesmo a música, tão mercadoria, tão 2.0, tem origem nas sombras do corpo. Vamos fazer jogos musicais com sons do corpo. Voz, palmas, estalos, assobios… Desta brincadeira cada estudante levará um instrumento musical único, só seu, e que o acompanhará a vida toda. O seu próprio corpo.” Leandro Bonfim cativou o seu pequeno público, encantou como professor de música e de história.

Com o Little Shadow, a Vo’Arte aposta na formação dos mais pequenos, com oficinas que apelam à reflexão e ao debate, onde os sentidos são despertados e incentivados, além de o dar a conhecer um circuito diferente do Teatro da Cidade.

Fotografia de Jaume Caldentey.



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