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James Morrison @ Coliseu dos Recreios | 27 de Março

Uma bela noite

Pouco passava das 22 horas quando James Morrison e a sua banda subiram ao palco do Coliseu dos Recreios, em Lisboa. O espaço ia ficando cada vez mais ruidoso, horas antes da actuação do cantor britânico, e vários eram os cartazes que emergiam da multidão com dedicatórias ao artista. O público esperava-o, expectante, e quando as luzes iam baixando de intensidade e a música começava a soar, o recinto foi abafado pelos gritos e palmas dos fãs.

E começou o espectáculo. «Beautiful Life», do álbum”The Awakening”, foi a música de abertura desta apresentação na capital. Logo no início, James Morrison sentia-se totalmente à vontade em cima do palco, como se aquele fosse o único sítio em que se sentia feliz.

Com um sorriso nos lábios, cumprimentou o público, em português, e salientou o quão bom era estar de volta a terras lusas. Para ele, Portugal é um sítio de boa gente e de boa comida e quanto ao trabalho, os fãs conseguem sempre corresponder ao que é pedido. E essa é outra razão para o artista passar por cá muitas vezes.

Confiante e confidente, James Morrison falou da música «In My Dreams», escrita e composta em memória ao seu pai, que morreu há cerca de um ano e meio. Naquele momento, a voz rouca e suave do artista, aqueceu a sala, salpicando-a de recordações, pessoas, sítios e saudade. Foi um momento único. Um momento em que o público não parou de dar o seu apoio, bem como palavras reconfortantes para James.

Com a energia que lhe é própria, parodiou acerca da música «Say Something Now», referindo que agora a rapariga fala demais com ele. Este momento descontraído, serviu para quebrar um pouco o “gelo” que se fez sentir devido à música anterior e o espectáculo retomou o rumo contagiante.

E assim foi, o resto do concerto. «I Won’t Let You Go», single deste álbum, fez as delícias de todas as pessoas presentes que o cantaram com imensa emoção. Mas foi com «Up (Never Too Late)» que James Morrison agarrou os espectadores mais desatentos. Em dueto com uma das raparigas do seu coro, a dupla conquistou todo o espaço. Não apenas pelo poder da voz de ambos, mas sobretudo pela cumplicidade que se fez notar em palco. E essa cumplicidade só demonstra dedicação, amizade e força de vontade. E é isso que o público gosta de sentir.

O concerto já ia a meio, quando o momento da noite chegou. «Broken Strings» não deixou ninguém imune à letra e à melodia. Por todos os lados, um coro unia-se e tentava, a todo o custo, acompanhar o cantor que apresentou uma versão acústica, muito diferente da versão originalmente cantada com a Nelly Furtado. Porém, vários foram os comentários de que esta seria uma melhor versão, mais simplista, mais humilde por assim dizer, mais única.

James Morrison surpreendeu pela positiva. Não só pelo à-vontade em palco, mas sobretudo por mostrar ser um cantor completo. A interacção com o público foi constante. As brincadeiras ajudavam a tornar o ambiente mais íntimo e a relação com os outros elementos da banda era forte. Ao longo do espectáculo, James falou um pouco das canções, dos erros que tinha feito no passado e que originaram músicas como «The Person I Should Have Been», de algumas peripécias no decorrer da sua carreira enquanto músico e demonstrou um pouco da sua personalidade.

O artista e a sua banda não quiseram acabar o concerto sem fazerem uma viagem a alguns êxitos de outros discos. «You Give Me Something», música que o lançou para o mundo da música e para o mercado internacional, era aguardado pelos fãs há muito tempo e, quando James lhes fez a vontade, foi retribuído com gritos, palmas e cantorias. Bem recebida foi também «Wonderful World», que fechou o concerto e deixou no ar o desejo do artista de voltar a Portugal.

Harmonia é, talvez, a palavra que melhor pode caracterizar o concerto de ontem. Ou melhor, é a melhor palavra para caracterizar o espírito de James Morrison e da sua banda. Todas as ligações entre os elementos fluíam como uma melodia agradável o que, de certa forma, devolvia aos fãs todo o apoio dado. Todas as músicas cantadas davam àquele recinto cheio a promessa de que a noite ia ser memorável e que, mesmo as músicas mais fraquinhas, podiam ter o seu toque de energia, quando cantadas ou encaradas de outro modo. Foi uma bela noite. Foi uma bela noite que espero que se repita.

Fotografia por José Eduardo Real. Galeria fotográfica aqui.



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