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Jamie Cullum | Entrevista

Jamie Cullum foi o artista que encerrou a 14.ª edição do festival EDPCOOLJAZZ no dia 29 de Julho. O estádio municipal de Oeiras, no Parque dos Poetas, encheu-se para assistir ao concerto do britânico, que tem vindo a marcar presença em Portugal ao longo dos últimos anos.  E este ano a Rua de Baixo não perdeu a oportunidade e aproveitou para entrevistar o artista de jazz mais querido dos portugueses.

Tens vindo a Portugal todos os anos. O que é te faz vir cá todos os anos?

Eu acabei por criar uma boa base de fãs aqui, eles são muito leais! Acho que o entusiasmo que eu tenho de vir aqui tocar é porque eles são adeptos da mudança e do crescimento de um artista. E mostram tanta paixão nos concertos que é muito entusiasmante para um músico tocar para o público português. Mas eu sinto que aceitam os meus álbuns de formas diferentes e essa é para mim a marca de uma boa base de fãs.

Estiveste em Serralves ontem, como é que foi?

Sim, foi maravilhoso! Sabes, o Porto é um lugar lindo. O meu pai e a minha mãe estão de férias lá, eles vieram. Nós tivemos um tempo incrível e é fantástico.

Qual é o teu lugar favorito cá em Portugal?

Sabes, eu adoro Lisboa! Mas também gosto de Cascais, da praia… e lembro-me que comi um peixe maravilhoso. É muito bonito lá.

Então já teve a oportunidade de visitar alguns lugares?

Não. Eu estive os últimos dois dias com os meus pais no Porto. Nós fomos à praia… passamos um bom momento!

Quantas palavras é que conheces em português? Eu sei, pelo menos, que uma delas é “paralelipípedo”. Que mais é que sabes?

Já não são tantas como antes. Eu estive com uma rapariga brasileira durante uns tempos e ela ensinou-me um pouco de português, mas já me esqueci.

Mas é um pouco diferente o português do Brasil do português de Portugal.

“Bom djia”! Sim, claro. Mas ela ajudava-me com algumas…

Por exemplo, eles dizem “Bom D(j)ia” e nós dizemos “Bom Dia”. Consegue perceber a diferença?

Ah, sim! O som é diferente. Mas eu temo que a minha capacidade de falar português hoje em dia já não é tão boa. Eu sei que devo dizer “obrigado” porque sou um homem.

Tu fazes muitas coisas: viajas o mundo com a tua música, tocas mais do que um instrumento, tens o teu próprio programa de rádio na BBC Radio 2, tens a tua própria revista e ainda tens que cuidar da tua família. Como é consegues lidar com tantas tarefas?

Isso é uma boa pergunta, porque eu não sinto que estou a lidar com tanta coisa. As coisas relacionadas com a música não são assim tão diferentes como parece. O programa de rádio é uma extensão do meu amor pela música, que me tornou num músico. Então, é tudo parte do mesmo. A revista é só por diversão, para vender algo consistente. É mais criativo do que só t-shirts e essas coisas. A questão da família, essa é a parte mais difícil, mas também é a melhor!

Tens dois filhos, certo?

Sim, eles estiveram comigo em Espanha, na semana passada.

Estás a pensar gravar um álbum só para o projeto da “Song Society”?

O projeto da “Song Society” só vai sair para o Youtube. Acho que o objetivo é só deixar no Youtube. Poderemos obter os direitos para por no Spotify, mas a “Song Society” significa fazer, fazer e fazer.

E há alguma ideia para a próximo cover?

Sim, hum… Não é Demi Lovato. Quem é a outra?

Da Disney?

Qual é o nome dela…? Ela andou com o Justin Bieber, qual é o nome? Bem, ela tem uma canção que eu gosto muito. Então, talvez seja uma música dela e uma cover de uma do Billie Joe.

Sendo tu um músico de jazz desde o início, o que é que te levou a fazer covers de músicas pop?

É uma tradição do jazz interpretar as músicas de toda a gente e eu achei divertido! E é ótimo para improvisar e aprender sobre as músicas também. Eu fico fascinado por bons compositores de música pop e então,  tento escolher músicas que eu gosto e assim vai-se aprendendo mais.

Pois, há mais do que o som na música. Há também a letra…

Sim, extamente! Tu és jornalista e lês bom jornalismo e pensas “o que é faz disto bom?” e, quando eu ouço música pop é o mesmo. É a letra, é a melodia, é a produção. Normalmente se é a produção, eu estou em apuros. Porque eu acho que é quando a descontróis, que descobres uma boa melodia e uma boa letra.

E a primeira foi a «Don’t stop the music» da Rihanna ou houve outras?

A «Don’t Stop the Music» foi a inspiração, porque nós aprendemo-la e gravámo-la numa hora, no estúdio. Mas esteve no álbum. E eu pensei que o que eu fiz com esta música posso continuar a fazer e deixar no youtube.

Falando agora da revista Eighty-Eight. Quando é que sai a 3.ª edição?

Eu estou a acabar o meu novo álbum agora. Estará terminado dentro de duas semanas, mais ou menos, e a Eighty-Eight sairá ao mesmo tempo que o álbum.

E será um álbum de originais?

Sim, é tudo originais! Serão dez músicas originais.

Onde é que consegues arranjar tanta energia para um concerto de quase duas horas?

Eu hoje não sei, vamos ver! Mas vem do público e da música, sabes. Parece óbvio, mas é a verdade.

E já aconteceu alguma vez ficares magoado depois de um salto do piano?

Sempre! Dói sempre um bocadinho. Eu tenho piorado de ano p’ra ano.

A última pergunta é: quando sairá o próximo álbum de originais?

Acho que será próximo do Natal, senão será no início do próximo ano. Depende de como forem as gravações.



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