LINCE | Entrevista

LINCE | Entrevista

As cinco canções que integram “Drops” são como mel para os ouvidos. Primeiro chamam-nos a atenção e depois agarram-nos. Não há duas canções iguais. A electrónica é o fio condutor. Depois, há canções com uma atmosfera etérea e pessoal e há canções com uma aura mais pop e que convidam à dança. Os arranjos que têm tanto de simples como precisos e revelam-se indispensáveis, pela forma como dão consistência às canções. Finalmente, mas não menos importante, temos a voz de Sofia Ribeiro que se encaixa de forma perfeita sobre as canções e eleva-as. Recentemente tivemos a oportunidade de lhe colocar algumas perguntas sobre “Drops” e sobre o futuro.

Como surge o nome LINCE?

Decidi adotar o nome LINCE depois de uma coincidência. O mesmo nome foi-me sugerido, primeiro, por um amigo e, passado algum tempo, por um outro. Achei que talvez quem me conhece bem me revisse naquele nome. Além disso, refere-se a um felino, animais que eu gosto particularmente, pela sua independência, astúcia, sedução, e a um felino raro. É uma palavra simples e bonita. Decidi agarrá-la.

O que é que LINCE e a Sofia Ribeiro têm em comum?

LINCE é uma parte da Sofia. O que componho diz muito sobre mim, sobre o que sinto, sobre experiências, sobre quem me rodeia. LINCE é um sítio para onde canalizo emoções que vou guardando. Quem ouve LINCE fica a conhecer um pouco da Sofia e os dois não se dissociam, coexistem sempre.

No comunicado de imprensa referes que o título do EP, “Drops” está relacionado com o facto destas canções representarem apenas uma primeira amostra daquilo que aí vem (estou a parafrasear). O que é que aí vem? Que mais podemos esperar?

Sim, esta é uma chegada de mim enquanto compositora. As músicas que escolhi para integrarem este EP são um conjunto de canções que sinto que abrangem bem o leque de sonoridades onde me encontro. Quero continuar a fazer crescer LINCE e “Drops” é um ponto de partida. Depois disto virão mais temas, onde já vou introduzindo novas estéticas. É um crescimento. Tenho vindo a compor mais músicas e espero partilhá-las em breve. 

Tiveste muita gente a assistir ao teu concerto no Coreto by Arruada no Alive. Como foi a experiência?

Foi fantástica. Tive, de facto, muito público e senti que as pessoas forma muito receptivas. O Alive é um festival enorme e de referência, é sempre um privilégio tocar em espaços assim. Há muitas pessoas que estão de passagem e acabam por descobrir novos artistas. O palco Coreto era uma montra de nova música portuguesa e funcionou muito bem. Tive oportunidade de mostrar a minha música a muita gente e divulgá-la mais. O concerto correu muito bem e a reação do público não podia ter sido melhor. Saí de lá muito feliz.

Nos últimos anos temos perdido a vergonha no que a compor e mostrar o trabalho, inclusive lá fora, diz respeito. Nota-se também um interesse crescente, lá de fora, em descobrir o muito (e bom) que se faz por cá, que aliás já experimentaste um pouco (com a referência na Les Inrocks). Qual é a tua leitura? É um caminho que queres efectivamente seguir?

Eu acho que as fronteiras se estão a quebrar cada vez mais. Com a internet, com as redes sociais, conseguimos ter acesso a tudo o que se faz em todo o mundo, por isso também conseguimos fazer chegar o nosso trabalho a muitos mais sítios. Há uma outra questão que é o facto de haver mais espaço e facilidade em fazermos música. Há cada vez mais gente a fazê-lo e, por isso, naturalmente, há mais pessoas a conquistarem lugares que ainda não haviam sido conquistados. Para mim, faz sentido a arte atravessar fronteiras, aliás, a arte não tem fronteiras, ela deve seguir o seu caminho por onde a quiserem ver ou ouvir. Espero conseguir fazer propagar a minha música pelo mundo fora.    

O que costumas ouvir? Sentes que te influencia no momento de compor? De que forma?

Ouço muitas coisas diferentes, desde Beethoven a Justice, Sufjan Stevens a Frank Ocean, Tame Impala a Debussy. Não sinto que me influencie diretamente. Não sou uma compositora que reúne sonoridades que tente reproduzir ou que no momento de composição se lembre de este ou aquele artista como referência. Há sem dúvida uma influência indireta, como tudo o que vamos absorvendo pela vida. Eu componho de forma bastante intuitiva e as minhas músicas refletem mesmo momentos da minha vida, coisas que estou a sentir, frustrações, prazeres. Deixo-me descobrir sons que me identifiquem. Há fases em que ouço pouca música. Sinto que preciso de silêncio, de momentos vazios para que algo surja. Há outras alturas em que ouço muita música e isso também me estimula a compor.



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