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Janelle Monae

O percurso de uma das mais excitantes vozes da actualidade.

Janelle Monae encarna em pleno tudo aquilo que fez das índoles sónicas afro-americanas mais elogiosas de finais de 70 tornarem-se factores activos de integração socio-racial pela América.

Filha duma família pobre, poderia retratar tão só o culto de movimentos black power que assentam os seus ritmos numa espécie de crispação social que valoriza a mensagem em detrimento da harmonia. Janelle Monae vai mais longe e parte, conscientemente, da mesma rota dando lastro a algo susceptível de gerar uma indiscutível alquimia sónica.

A pequena grande mulher transforma-se e da deteminação e tipificação dos géneros, que deram aos States intérpretes tão geniais como sensuais, e que naturalmente a inspiram, não abdica do rasgo criativo que a caracteriza.

Da soul de Detroit ao funk, do disco ao free jazz nova iorquinos Janelle Monae repele e atrai convictamente as estruturas organizacionais da música, como se bebendo em admiração dos vultos que marcaram tais géneros e épocas, de James Brown a Grace Jones ou Sun Ra, lhes desse algo que é unicamente seu. Com isso, Janelle percute em si, e em quem já a segue, uma dinâmica acentuada de ritmos sobrepostos em que assume características análogas aos ícones referidos, mas uma estrutura e brilhos que a individualizam no todo.

Há no seu recentemente estreado “Archandroid” uma unificação de todas as franjas do Black Movement que deram a conhecer ao Mundo e à sociedade americana em especial cenas contagiantes. E Janelle Monae, que já não figurava despercebida no seio virtual, ascendeu no actual, após ter-se dado a conhecer ao mundo num programa de entretenimento de grande audiência nos EUA, ao lugar de algumas das divas de outros tempos que conseguiram, pela pureza e dom descomprometidos, gerar transversal admiração.

Ao vivo veicula a sua destreza performativa, talvez o motivo para que em tempos lhe tenha sido atribuída a bolsa de estudo para a American Musical & Dramatic Academy, mas como quase todos os vultos transcendentes resolveu virar costas ao pragmatismo escolar e seguir até Atlanta onde o rapper Big Boi-OutKast – rendido à dimensão vocal da menina que iniciara os seus primeiros trauteados, na senda gospel, pela igreja de Kansas City – donde é natural – o convidou para participar no álbum, preparado como musical, “Idlewild”.

A menina que cresceu nos subúrbios de Kansas City expõe em Archandroid muito para lá das resignações e normas desiguais da urbe.

Janelle revisita o clássico e tempera-se no futurismo. Neste disco não há ponta de fraqueza temperamental para criar melifluas e deprimentes investidas sónicas, tão em voga no feminino, há uma menina/mulher vibrante, ambiciosa e imparável com os pés bem assentes na sua nuvem artística que, para já, parece desproporcional ao seu tamanho (só físico).

Janelle agiganta-se ao transformar o mais conceptual do processo criativo numa congregação de diversidades que vão do funk ao jazz, do folk ao gospel do cabaret aos pincelados mais cósmicos e tansgressivos. Neste álbum há um pé no passado reinventado “Cold War”, “Tightrope” e uma poupa dançante já no futuro, cheia de exuberâncias vocais e duma premência sapateada nas profundezas do R&B.

Chegou… Janelle Monae!



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