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Sónar 2011

Sónar Festival is for sale – quem dá mais?

Mais uma ficha, mais uma volta: o festival dos festivais volta a hastear a bandeira de qualidade indubitável a que já nos habituou, num ano em que deixa a cabeça de fora – da janela – e se põe à venda, para quem o queira apanhar fora de fronteiras… Uma espécie de carochinha dos tempos modernos, mas que valerá bem a pena o tusto!

Longe da cidade olímpica de 1992, que traz à memória um Freddie Mercurie e gorda senhora em honras líricas, Barcelona cresceu para a miscigenação cultural e desenvolvimento turístico, preferencial para os 30’s e os 20’s universitários, deitando as garras de fora em 1994 com um dos mais eclécticos festivais do Mundo. Sim, do Mundo. Chamá-lo “peninsular” seria dar uma bandeirinha quinhentista que já não faz jus à conquista que atravessou continentes, trazendo público e artistas dos quatro cantos do mundo e que potenciou, por isso, o envio do aperitivo catalão a Nova Iorque, São Paulo, Seul, Frankfurt, Londres ou Tóquio.

O intitulado Festival Internacional de Música e Artes Multimédia é uma estrutura tentacular que se instala pela cidade nas versões nocturna e diurna e cuja evolução fez com que a ida ao Sónar passasse a ser mais do que uma ida a um festival ou uma entrada num recinto, convertendo em real valor o seu bilhete (o passe que anda ali nos 150€), por fazer a vénia ao Conceito ft. Experiência associada.

Da exposição à curadoria, temos showcases de algumas das mais importantes editoras mundiais, a par do muito bem embrulhado presente que são as Parcerias, como a desenvolvida este ano com o festival OFFF – também apresentado em Barça na semana anterior e que se prorroga com a produção OFFFMática, integrada no programa sonaríssimo –, fazem a diferença. Os gostos falarão por si, mas até às 6 da tarde há meio festival andado, com manifestações artísticas um pouco por toda a parte, cinema documental a casar a música com imagem contemporânea, criações digitais apresentadas no CCCB, concertos – talvez os melhores –, festas privadas e outras menos, entre outros eventos gravitantes dos satélites By day e By night (fase última onde viramos a boneca para um festival mais mainstream, mas que permite abraçar a diversidade proposta).

O Cyclo Show experimental, o SónarCinema, o OFFFMática, o encontro artístico e da indústria musical no SónarPro (Pro as Pro can be, seus geeks), a antena de rádio que – sem piratear – invade território e lares, os showcases BBC Radio 1, Ninja Tune & Big Dada, Numbers e a Sra. Red Bull Music Academy no SónarDome, são grandes gomos sumarentos de onde podemos espremer uma visão completa do melhor que se faz e do melhor que se vive, quando se vive à volta da esfera cultural, tão bem explorada na cidade.

Sob o foco musical, que justifica a peregrinação adjuvada pelas demais santas catalãs, temos a vanguarda e a velha escola representadas por nomes como Underworld, M.I.A., Aphex Twin, Magnetic Man, Die Antwoord, The Human League, Dizzee Rascal, Cut Copy, James Murphy, Janelle Monáe, Paul Kalkbrenner, Chris Cunningham, Boys Noize, Four Tet, Buraka Som Sistema, Katy B, Steve Aoki, Steve Reich + bcn216 + Synergy Vocals, Alva Noto & Ryuichi Sakamoto, Shackleton, James Holden, Nicolas Jaar, Global Communication, Cyclo, Trentemøller, A-Trak, Atmosphere, Annie Mac, Hype Williams, Little Dragon, Floating Points, The Gaslamp Killer, Toro y Moi, Trentmoller, Apparat Band, Gilles Peterson, Tiga… Uma pandilha de assalto, que promete deixar o público rendido e a pedir por mais.

Não somos potenciais compradores como os que procuram os senhores da organização, mas orgulhosamente lá estaremos, sem reportar visitas às Ramblas nem arranhar passatempos como um “Levem a vossa t-shirt do Real, que ganham um passe”… Para quem não puder estar de 16 a 18 de Junho no festival, vamos antes procurar trazer-vos o melhor que por lá passar, para que vivam connosco uma experiência que se quer como a da Rua. De todos.

Vale, tíos?



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