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Jardim do Torel

Um segredo (ainda) muito bem guardado.

Vem aí o Verão mas, aproxima-se de forma envergonhada. Está a chegar o momento de nos lançarmos na rua para captar o que de melhor a cidade nos disponibiliza. Certo dia do mês de Abril irrompi pela cidade com o objectivo de “matar” o tempo e de visitar um jardim por mim desconhecido e cujas coordenadas tinham sido dadas num diálogo entre amigos. Parti para esta descoberta estando ciente que é nos sonhos que os jardins se formam.

Fui informado de ante – mão que este jardim tinha sofrido uma recuperação de monta e que tinha acabado por se tornar uma realidade. Proporciona actualmente uma das melhores vistas da cidade de Lisboa e de sentir a serenidade de uma das zonas mais movimentada da cidade, deste ponto conseguimos observar a principal Avenida de Lisboa (a da Liberdade), parece um contra-senso mas não é! Convido-vos a experimentar esta dicotomia.

Para lá chegar podemos optar por uma das duas entradas, a principal pela Rua de Júlio de Andrade, que está situado perto do Campo dos Mártires da Pátria, no elegante quarteirão do Torel onde estão edificados inúmeros palacetes perto do elevador da Lavra. A outra, mais abaixo, é na Rua do Telhal, ao lado da emblemática, loja de discos Carbono, onde se compram e trocam discos em segunda mão e da loja de tatuagens Lisboa Ink.

Este espaço verde estende-se por vários patamares e possui dois lagos em pedra, subindo as escadas da R. do Telhal, passará primeiro pela escola de S. José e pela esplanada recentemente aberta. Subindo um pouco mais descobre-se um jardim verdejante com bancos confortáveis que convidam ao descanso.

Este jardim romântico do século XVIII está no alto de uma das sete colinas de Lisboa e aponta para uma grandiosa panorâmica da cidade com vista para a parte ocidental de Lisboa, nomeadamente a colina do miradouro de S. Pedro de Alcântara e do Príncipe Real mais a sul, avista-se o rio Tejo.

O seu nome deriva do desembargador Cunha Thorel, o mais rico proprietário da zona e que habitava num palacete no actual parque do jardim. O palacete do Thorel veio a ter vários proprietários mas foi já no século XIX que se deu um incêndio que o destruiu por completo. Outro edifício surgiu, mas o Estado comprou este espaço nos anos ‘20 do século passado e ali instalou os serviços da Polícia de Investigação Criminal, antecessora da Polícia Judiciária. Nessa altura as expressões “de ir ao Torel” “ ser chamado ou levado ao Torel” não eram de bom presságio pelos lisboetas de então.

Através deste jardim e da sua história talvez seja possível despertar os sentidos para a importância da conservação dos espaços verdes. Acreditando que a Câmara Municipal de Lisboa e a Junta de Freguesia de São José estão alinhadas com este pensamento, em Junho de 2009 terminaram as obras de requalificação e de restauro e em Março deste ano foi possível inaugurar a Esplanada do Torel onde podemos contemplar e acompanhar esta vista com os seus serviços.

Após esta visita digo-vos que o melhor de tudo é que o jardim, continua a ser um dos segredos mais bem guardados da cidade.



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