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Julianand

A vida dele é a moda, seguiu um caminho que o levou ao topo da carreira académica nesta área, agora tem um site onde, como sempre, aposta no conceptualismo. A descobrir o WednesdayWebSite, depois de ler a entrevista, ou vice-versa.

Conheci o Julian Roberts, agora com 38 anos, no backstage da London Fashion Week, porque me convidaram para ajudar a vestir os modelos do seu desfile em 2002 e aproveitei para passar para o outro lado. Vi os outros desfiles normalmente (tendo até me esquecido do convite para o desfile da Burberry na caixa da minha residência – não me perdoo!)

Mas este teve um sabor diferente. Além dos cocktails de Moet & Chandon com frutos silvestres, teve um sabor a aventura e descoberta. Não descobri muito do Julian, o namorado da Sophie com um look bem grunge, a pele muito pálida, muito magro, atarefado e muito irresistível. Um charme muito próximo do de Kurt Cobain, arrisco.

Depois percebi que a etiqueta tinha parado. Mas o Julian não parou.

Memórias de infância…

Vivi sempre junto ao mar durante a minha infância, em aldeias e vilas em várias partes do País de Gales e Sul de Inglaterra. Nasci em Rest Bay, ih Porthcawl. A minha família é galesa, mas, de facto, a minha educação foi mais em Inglaterra mesmo. Passei muito tempo a brincar em igrejas e cemitérios, o meu pai é padre. Como mudei de casa muitas vezes tenho poucas recordações físicas da minha infância, nem sequer amigos de infância. Um psiquiatra explicaria que por isto eu construo e destruo marcas de moda (nothing nothing, Julian&Sophie, JULIANAND, parc deS Expositions e a Tunnel Technique) e também por isso tenho uma sucessão de relações com mulheres que não duram mais de 4 ou 5 anos.

Quando é que viste que a moda ia ser o core da tua actividade profissional?

Foi uma decisão assim de repente, aos 15 anos. Eu ia ser um farmacêutico ou um programador, mas acabei por querer chocar os meus pais seguindo moda. Olhava com admiração para o meu irmão que era um rebelde e vi-o com um mod dos 80’s, um skinhead, depois um neo-romântico. Quando eu era muito novo para sair à noite, sentia-o chegar de manhã e depois sentava-se na minha cama a contar as histórias épicas do clubland.

Sempre nos vestimos de formas escandalosas, o interesse em estilo e em subculturas inspirou-me muito. Aos 18 estava viciado.

O que aconteceu na tua vida quando te mudaste para Londres?

Mudei-me para Londres para estudar o meu mestrado em menswear no Royal College of Art e acabei por ficar 14 anos. Vivi sobretudo no east end, na zona de Bethnal Green, onde fiz o meu estúdio de design. Fui para Londres para mostrar o meu trabalho e deixar uma marca. Fiz o meu primeiro desfile fantasma da nothing nothing para colidir com o do Alexander McQueen, porque, na altura, ele era super-famoso e nenhum designer emergente ia ter a coragem de fazer um desfile à mesma hora. Os editores de moda adoram receber convites, então enviei convites com muitos autocolantes com o nome de cada um, fazendo notar a grande importância que eles têm. Por duas épocas, havia convites mas não havia desfile. A marca começava a ser falada, até que à terceira não arrisquei mais e fiz mesmo um desfile onde apareceu Susy Menkes, Kete Phelan, Mimi Spencer e Hamish Bowles.

nothing nothing era demasiado conceptual, a sua sina era inevitável?

Exacto, nothing nothing era obcecada com o conceito. Acabou por durar cinco estações e depois vendi-a etiqueta por 1 libra no eBay. nothing nothing foi um dos meus erros que correu muito bem…

Eu estive a vestir os teus manequins no desfile Julian & Sophie Primavera/Verão 2003, lembro-me da colecção ser toda tecidos frescos, pequenas flores nos padrões dos vestidos. O casting era controverso mas a colecção era bastante comercial. Porque é que paraste?

Julian & Sophie era mais comercial. A Sophie era uma designer têxtil muito talentosa e juntos trocámos ideias e colaborámos muito a brincar. Eramos muito próximos, ela era minha namorada. Depois de 4 colecções senti que precisavamos de budgets maiores para manter a atenção da imprensa e dos compradores, mas como isso não estava a acontecer eu imediatamente matei a marca. Há muitos projectos criativos que ficam em rascunho desde moda, a designers, arquitectos, músicos, escritores e cineastas. É a natureza das indústrias criativas. Tens de jogar esse jogo.

Como é que mostras o teu trabalho agora?

Agora não podes comprar as minhas roupas no circuito comercial. Neste momento faço peças de roupa em frente de audiências, mostrando como se faz, usando as minhas técnicas. Eu dou masterclasses em todo o mundo, na Europa e nas Américas. Gosto de viajar para novos lugares para mostar as minhas técnicas. Sou um bocado nómada.

Mudaste para Brighton… Vês agora tudo numa luz diferente?

Saí de Londres porque queria uma qualidade de vida melhor. Parei de fumar depois de 10 anos e agora corro em vez de fumar. Tenho estado fiel a este regime desde há um ano. O mundo parece diferente! Agora vou duas vezes por semana a Londres para leccionar no Royal College of Art para o meu trabalho na BBC, pareço um turista, sinto-me um turista! Em Brighton, junto ao mar há muitas coisas também, mas também muita calma… Dá-me uma perpectiva mais definida do que quando trabalhava no trendy east end. Aqui há menos as distrações previsíveis.

Fala-me do teu projecto ‘Online Pattern Cutting School’?

Desde 2002 que tenho a minha escola online de corte de moda onde as pessoas podem aprender 3 técnicas que eu desenhei de forma simples para uma simples compreensão.

Projectos para o futuro…Agora estou a trabalhar com a BBC a filmar um programa para a web TV onde um grupo de jovens entre os 14 e os 19 anos trabalham juntos para produzir uma colecção para a London Fashion Week. Também dou as masterclasses em São Francisco, San Sebastian e Suécia e ainda em diversas universidades no Reino Unido. Também tenho aí um livro que vai ser reeditado. Faço ainda figas para ter um patrocínio para mostrar uma colecção em 2010.

O que é mais importante para ti na vida?

A coisa mais imporante neste momento é a minha namorada Rachel. Sempre fui obssessivo com o trabalho e isso significava que os amores da minha vida tinham de me partilhar com o trabalho. Agora dou prioridade à minha relação. Espero que dê certo. Daqui a três anos posso estar casado e ser pai.

Que música escutas por estes dias?

Agora ando a ouvir Florence & the Machine, mas sei que é um flirt que passa. Gosto de todos os tipos de música moderna clássica e estranha!! A minha música preferida desde há uns anos é ‘Comptine d’un autre été’ de Yann Tiersen.

Porque é que todos os designers de moda são gays? Com raras excepções…

Talvez porque a moda tem tudo a haver com identidade e os homens historicamente projectam as suas fantasias e inseguranças de forma feminina. De qualquer maneira as mulheres também dão óptimas designers de moda, para mulheres, para homens, straights e gays. Talvez menos homens se sintam atraídos por estes papéis por um medo em relação à sua masculinidade

Que ideia é esta de ter o site apenas aberto às quartas-feiras? O efeito em mim é o do teasing, tal como fizeste com nothing nothing.

O meu site assim evita as terríveis armadilhas da interactividade. Todos os outros estão abertos sempre. Se perdes aquele horário de quarta-feira, pronto foi-se! Um pouco como era a TV antigamente, já que agora temos a TV on demand. Há tão poucos eventos reais hoje em dia. Este é um. As actualizaçõpes podem ser subtis, escritas em imagens ou desenhos em videos ou códigos web. Faz um efeito diferente, o meu site é diferente. Agora a ideia é mostrar coisas novas, vender coisas, trocar coisas e dar coisas! Está tudo na agenda de cada semana.



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