Leather ON

Leather ON

Idos são os tempos em que o cabedal pertencia em exclusivo a punksrockers e motards

Ao longo das últimas estações, desde o desfile Louis Vuitton 2011 encerrado por uma Kate Moss fatal em hotpants e leather upper, não há dúvidas: os criadores de moda renderam-se aos encantos da matéria-prima mais antiga do mundo. A cada seis meses somos surpreendidos por novas explorações de peles, lado a lado com as as técnicas mais avançadas de curtimento, tintura, corte e costura numa paleta de cores, cortes e texturas nunca antes vista.

Idos são os tempos em que o cabedal pertencia em exclusivo a punks, rockers e motards (e respectivos wanna be’s). O aqui e o agora ditam que a pele serve qualquer estação e situação. Ora vejamos.

Hoje, tecnicamente Inverno 2012:

Que tal alguma opulência, negros versão fêmea-alfa, com cortes estruturados ornamentados de pérolas? Balmain tem.

Vestidos e macacões fluídos e descontraídos, género anti-vixen? Derek Lam e Christian Dior têm.

Amanhã, ou “o que começa a encher as lojas”, Verão 2013:

Gabardines e saias hiper-sexy em tons metalizados de cair para o lado? Burberry Prorsum tem.

Cortes a laser com encaixes de piton em verdes e amarelos ácidos? Proenza Schouler tem.

Um guarda roupa inteiro – calças lápis, shorts e vestidos – de inspiração construtivista sem uma única costura? Fendi tem.

Calças de cintura alta à la Marlene Dietrich? Mulberry tem.

Depois de amanhã, quando voltar a arrefecer e o que está a sair das passereles do mundo as we speak – Inverno 2013.

Umas calças bem largas, cheias de street spirit? J. W. Anderson tem.

Ou algo bem mais feminino, como um vestido cobra metalizado bem justo? Gucci tem.

Podíamos aqui ficar o dia todo. Os biker-jackets e as leggings de pele com camisolões oversized estão vistos. Há todo um novo universo à espera: calções e mini-saias, saias pelo joelho rodadas e plissadas, trench coats que parecem saídos de uma banda-desenhada, volumes e fluidez impensáveis há uma década, camisolas estruturadas e camisas tão finas que ninguém diria de que são feitas. Até quando não sabemos, mas pelo menos até ao próximo Inverno é garantido.

Claro que tudo isto é muito bonito, mas por mais profundo que seja o verde esmeralda ou o vermelho rubi no trench Valentino, não há como esconder a condição trágica deste material que, ao que parece, não é um subproduto da indústria do gado, mas um dos seus co-produtos mais valiosos (quem o diz é Stella McCartney, uma das maiores defensoras da ausência de peles e pelos no mundo da moda, e membro da PETA).

A verdade é que apesar de existirem hoje muitas alternativas à pele verdadeira, a grande maioria dos criadores não abdica do material genuíno. Quanto aos consumidores, se uns traçam o limite na mesma linha que define o que comem, outros recusam-se a vestir a pele do lobo, da vaca ou da cobra, e outros ainda não têm quaisquer questões, desde que os aqueça.

Não é temática fácil, isso é certo, mas que a pele voltou para ficar por uns tempos, isso voltou.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This