Chanel n.º 5 – Noventa anos a manter uma fórmula de vida

Chanel n.º 5 – Noventa anos a manter uma fórmula de vida

As fórmulas querem-se secretas, mágicas, eternas. Este perfume iconográfico sempre respeitou essa máxima, até que a Europa sanitária o referenciou como alvo do seu interesse regulador. Está a polémica instalada

No início de 1921, Coco Chanel sonha aquele que iria ser o primeiro perfume da sua casa de modas e que lhe ficaria para sempre associado como um dos ícones do século XX: o Chanel n.º 5.

Em 5-5-1921 nasce oficialmente o desejado aroma, que, nas palavras de Chanel, era “um perfume com cheiro de mulher”. A combinação dos diversos extractos de perfume é inovadora, tão inovadora como o uso do aldeído, um composto químico orgânico usado para dispersar o aroma e realçar os ingredientes do perfume, entre eles vetiver, sândalo, rosa-de-maio, lírio-do-vale e baunilha. Os apreciadores (les nez) encontram-lhe referências a águas frescas do Inverno russo com notas de madeiras do norte da Europa.

“What do I wear in bed? Why, Chanel no. 5, of course.”

Décadas depois, quando perguntaram a Marilyn Monroe o que vestia para dormir, respondeu que eram umas gotas de Chanel n.º 5. Pode não ser uma daquelas frases que tenha mudado o mundo, mas fez trabalhar a imaginação humana. E as feromonas.

Mas conteria também aquele célebre frasco de perfume algo que induzisse ao descanso da estrela? Sabe-se que tinha problemas de sono, mas nunca constou que Chanel n.º 5 fosse um substituto ou complemento do Nembutal (o medicamento que foi encontrado em quantidades excessivas no corpo da actriz). Assim como nunca ninguém lhe encontrou efeitos secundários nocivos.

Pode parecer absurdo, mas, no presente, a fórmula do Chanel n.º 5 enfrenta a lei na Europa, mais precisamente uma directiva comunitária que impõe normas tão rígidas que banem componentes de vários perfumes como se fossem produtos a ser manipulados por crianças ou adultos inimputáveis. O Chanel n.º 5 vê-se agora na mira de um comité de defesa do consumidor intransigente que pretende eliminar um tipo específico de musgo usado como intensificador do toque amadeirado do perfume por eventualmente causar alergias.

Será o fim do Chanel n.º 5, opinam os seus defensores mais acérrimos, enquanto a Comissão Europeia declara que se trata de um estudo preliminar e que ainda demora até a lei ser posta em prática, pois ainda estão a ser feitos testes científicos. Sabe-se, sim, que certos componentes vão ter de ser listados nas embalagens exteriores dos perfumes como potencialmente “perigosos”, enquanto outros vão ser mesmo banidos.

E como reage a Casa Chanel a tudo isto? Mantendo um ritmo de trabalho fantástico e inovando no seu estilo inconfundível, pois, como diria Madame Chanel: “A moda passa de moda, o estilo nunca.” Dessa vitalidade são provas o actual anúncio do Chanel n.º 5, protagonizado por Brad Pitt (a primeira estrela masculina a publicitar um perfume feminino!), ou a colecção Primavera-Verão 2013 por Karl Lagerfeld, que, sem sombra de dúvida, sabe manter o espírito e inovar a energia Chanel.

E, last but not least, contam com o nez Jacques Polge, uma arma de peso nestes tempos difíceis. Mas um perfume que atravessou quase todo o século XX viu muitas crises e tempos duros e é um resistente, que resistirá. Um clássico, em suma.



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