OIG2 (4)

Ler é o melhor remédio

Da IA no universo escolar ao combate ao stress

Mais IA, melhor educação
de Prof. Jorge Rio Cardoso
Guerra & Paz (guerraepaz.pt)

Com o progresso da Inteligência Artificial (IA) e a sua (omni)presença no quotidiano, também a escola e o ato de estudar estão a mudar com a sua aplicação. Esse é o ponto de partida deste livro, da autoria do prof. Jorge Rio Cardoso e editado pela Guerra & Paz, que serve para apontar caminhos para uma revolução pedagógica com essa ferramenta digital.

Assumindo-se como um «guia essencial para pais, alunos e professores», oferece estratégias práticas para integrar a IA no processo de ensino e aprendizagem, sem perder de vista os princípios éticos e humanos que sustentam a educação, defendendo o autor que «a IA, longe de ser uma ameaça, pode ser uma aliada poderosa, desde que utilizada de forma crítica e consciente».

O livro está estruturado de forma a “falar” para alunos, professores e pais, partilhando estratégias que, por exemplo, ensinem os alunos usar a IA como ferramenta de estudo; que desafiam os docentes a reinventar práticas pedagógicas na era dos algoritmos, de forma a formar mentes críticas num mundo dominado por dados e muita informação manipulada; e que façam com que os pais ganhem ferramentas para acompanhar e apoiar os filhos num mundo escolar em rápida transformação.

Ao longo de quase 200 páginas, o autor reflete sobre o tema, explicando o que é a IA e como utilizar, de forma simples e ética, programas como o ChatGPT, e de que forma isso pode mudar o método de estudo e de ensino, não esquecendo de partilhar de métodos que ajudem a implementar e integrar a IA na escola. Além, disso, reúne uma lista com os 150 melhores programas de IA.

Apesar do tom otimista, Mais IA, Melhor Educação não ignora os riscos associados ao uso indiscriminado da tecnologia. Por isso, Jorge Rio Cardoso sublinha a importância de garantir que a IA não substitui a relação pedagógica, sendo sim um seu complemento. Para o especialista, «a tecnologia deve servir os humanos e não o contrário», apelando a uma «utilização ética e regulamentada das ferramentas digitais».

Num momento em que a educação atravessa uma fase de incerteza e transformação, Jorge Rio Cardoso oferece uma “bússola”, prática, acessível e atualizada, para navegar esse novo território, e que, acima de tudo, ajuda a garantir que a educação do futuro permaneça profundamente humana.

Tome nota
«(…) a IA poderá fazer com que o aluno possa poupar bastante tempo, não se disperse e se concentre naquilo que é essencial. Neste sentido, pode dizer-se que a IA traz maior motivação, pois o aluno tem sempre grande acompanhamento no que está a fazer, nomeadamente nos materiais que pode recorrer ao sistema, mas, também, nas dúvidas que consegue ver esclarecidas em tempo real.»

Sem stress
de Dr. Richard Mackenzie e Peter Walker
Nascente (penguinlivros.pt)

Numa era em que estar sujeito a vários focou de stress se tornou (quase) sinónimo de estar vivo, Richard Mackenzie, investigador britânico e especialista em metabolismo da glicose, e Peter Walker, jornalista do The Guardian, sugerem uma abordagem inovadora: e se o problema não estiver apenas na nossa cabeça, mas também nas hormonas e na forma como vivemos em sociedade?

Está assim dado um mote que combina o rigor da Ciência com o poder de uma narrativa acessível, desmontando os mitos que giram na órbita do stress moderno, tendo os autores o ónus de explicar como essa exaustão física e emocional pode afetar o organismo, muitas vezes de forma invisível, mas profunda, falemos da glicose ao sono, da fertilidade ao sistema imunitário.

Uma das teses da dupla que assina Sem stress é que sofrer da chamada doença do século, não é culpa nossa. Assim, e ao contrário do “senso comum”, que frequentemente responsabiliza-nos pela nossa ansiedade, cansaço ou falta de foco, os autores explicam como o contexto social, leia-se, por exemplo, a desigualdade económica, a sobrecarga laboral ou a insegurança, molda biologicamente o nosso estado físico e mental, acrescentando que «o nosso corpo não foi feito para aguentar stress crónico».

Mackenzie, com dezenas de publicações científicas na área do metabolismo, e Walker, com vasta experiência em jornalismo de saúde e política, unem assim forças para explicar como fatores externos estão a programar o nosso corpo para viver em estado de alerta constante e quais são os sinais que indicam que estamos exaustos, e respetivas causas.

Mais do que um manual de autoajuda, estamos perante um apelo à compreensão informada do corpo e das condições que o afetam, sendo a sua leitura uma viagem desde o histórico laboratório de Hans Selye, o médico que “descobriu” o stress nos anos 1930, até às atuais crises de burnout, ansiedade e exaustão coletiva, patrocinadas em muito por fenómenos como a pandemia ou os conflitos bélicos e as convulsões sociais que assolam o planeta.

Além disso, neste livro o leitor encontrará explicações, em linguagem para leigos, sobre o funcionamento do cortisol, da insulina e da adrenalina, havendo ainda espaço para uma crítica social sobre o que significa viver num mundo onde o stress é, muitas vezes, institucionalizado.

Numa constante dialética entre o corpo e o mundo, Sem stress é uma obra sobre reconciliação: com o corpo, com o cérebro e com o que nos rodeia, podendo ser o primeiro passo não para eliminar o stress – tarefa impossível –, mas para compreendê-lo, combatê-lo com mais consciência e, talvez, exigir mudanças maiores, também a nível político e coletivo.

Tome nota
«Mesmo que a causa do seu stress possa parecer muito difícil de resolver, é frequente haver formas de a mitigar ou, no mínimo dos mínimos, tentar limitar alguma das suas consequências físicas. (…) E, com frequência, o primeiro passo pode ser simplesmente ter consciência que está stressado.»



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