Ler é o melhor remédio
Da interpretação dos sinais do corpo à biblioterapia

A linguagem secreta do seu corpo
de Inna Segal
Pergaminho (pergaminho.pt)
Lançado inicialmente em 2011, surge agora com uma nova edição e afirmando-se como um bestseller internacional que veio, e continua, a revolucionar a forma como encaramos a saúde e o bem-estar, assumindo um perfil prático e orientado para o foco no autoconhecimento e escuta interior.
A sua autora, Inna Segal, criadora do método terapêutico Visionary Intuitive Healing®, terapeuta e conferencista, é uma das pioneiras da medicina energética e da divulgação dos seus benefícios, dedicando a vida a ajudar pessoas em todo o mundo na sua jornada em direção à cura e à felicidade.
Para isso, acredita que o corpo transmite os seus problemas e necessidades sob a forma de uma linguagem baseada em sintomas que podem variar entre os mais simples e complexos. O desafio é, portanto, estar atento a essa comunicação e procurar uma solução.
Estruturado como um guia de consulta prática, este livro reúne centenas de condições de saúde acompanhadas de potenciais causas emocionais, como, por exemplo, a raiva, o medo, o ressentimento ou a culpa. Mas, além de interpretações simbólicas, Segal partilha estratégias e exercícios para apoiar a “auto cura”.
Especialmente procurado por um público mais familiarizado com as abordagens holísticas, assim como por quem envereda por caminhos complementares à medicina tradicional, A linguagem secreta do corpo destaca-se no universo da literatura de desenvolvimento pessoal por promover uma escuta ativa do corpo, abrindo um maior espaço à consciência emocional, principalmente num tempo em que o stresse e os distúrbios psicossomáticos têm impacto crescente.
Tome nota
«O seu corpo é um sistema de feedback. Este livro dá-lhe a oportunidade de compreender as mensagens que o seu corpo lhe emite e proporciona-lhe uma gama de exercícios práticos para criar harmonia e cura.»

Biblioterapia
de Bijal Shah
Casa das Letras (leyaonline.com)
E se os livros forem ferramentas que ajudam a curar feridas emocionais e a potenciar o crescimento interior? Bijal Shah, biblioterapeuta britânica e fundadora da Book Therapy, acredita no poder transformador da leitura, provando-o em Biblioterapia, um livro que nasceu com base na sua vasta experiência pessoal e pesquisa profunda, mas, essencialmente, enquanto resultado do trabalho que realizou como os seus muitos clientes em todo o mundo, reunindo experiências clínicas e sensibilidade emocional que, defende, mostram como os livros podem ser um instrumento poderoso de transformação pessoal.
Assim, para a especialista, os livros, além de objeto de entretenimento e conhecimento, oferecem um espaço seguro para a reflexão, abrindo os horizontes para o autoconhecimento. Shah demonstra-o por via de casos reais que acompanhou e na sua própria prática, assegurando que a leitura pode ajudar a processar o luto, a ansiedade, a depressão ou a solidão. No entanto, ressalva que este processo não substitui a psicoterapia, funcionando, sim, como um complemento profundo e acessível.
Dividido entre teoria e prática, Biblioterapia começa por contextualizar esta prática ancestral, com raízes no Antigo Egito, e recuperada no pós-guerra(s) na Europa, situando-a num universo paralelo à Ciência. Mas, o mais cativante é como Shah sugere leituras específicas para diferentes estados emocionais – no capítulo 12 encontra sugestões que vão desde a ficção à poesia, dos clássicos aos contemporâneos – e oferece guias para clubes de leitura terapêuticos.
Ao contrário de muitas obras de autoajuda, Biblioterapia evita simplificações e fórmulas, com a autora a mostrar-se consciente da complexidade da mente humana e da pluralidade das experiências de ato de ler. Por isso, defende, o que cura um leitor pode não resultar noutros casos “semelhantes”, sendo precisamente esse caráter íntimo da relação com os livros que a especialista valoriza.
Estamos perante uma obra dedicada a quem acredita na literatura como espelho da alma, e que, por meio de uma escrita clara, empática e profundamente humana, convida a repensar o papel da literatura na vida quotidiana. E, particularmente, em tempos que exigem múltiplas tarefas e a consequente desconexão, Biblioterapia é um lembrete sereno de que o livro certo, na altura certa, pode ser tão transformador quanto uma boa conversa.
Tome nota
«Acredito que a leitura consiste em alfabetizar-se em si mesmo, na humanidade e no mundo real. (…) Permite-nos explorar os píncaros da nossa imaginação, mas também as profundezas das nossas tristezas e dos nossos infortúnios. Funciona como um espelho, mostrando-nos a nós mesmos e aos nossos ângulos mortos.»
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