“Liberta-me” | J. Kenner

“Liberta-me” | J. Kenner

Só a paixão conseguirá libertá-la

Um título dá o mote: uma ordem, uma necessidade a ser cumprida, uma exigência imperativa sem a qual o livro não faria sentido. A história gira em volta da liberdade, mas de uma necessidade tão forte dela que não podia deixar de tocar no seu expoente máximo: o sexo.

Para as personagens, o poderoso Damien Stark e a ambiciosa e profissional Nikki Fairchild, a libertação só pode ser atingida com a possessão total um do outro. Um pouco contraditório não será? No entanto, toda a gente sabe que a liberdade implica escolhas, e nada é mais livre do que escolher pertencer a alguém de corpo e alma, sem condições nem meios termos.

Liberta-me” (Topseller, 2013) é sobre isso mesmo. Uma necessidade tão exigente de pertencer alguém de modo a evitar a perdição e a destruição interior. Nikki não é a típica mulher frágil e necessitada pacientemente à espera que o cavaleiro de armadura brilhante a venha salvar. É uma mulher determinada, ambiciosa, extremamente prática e inteligente, mas incapaz de resistir à presença de Damien Stark. O desejo entre os dois é tão incontrolável, a sua empatia é mútua e tão irresistível que, mesmo sem querer, o leitor dá por si a desejar entrar naquele mundo fascinante e intenso da atração sem limites, da inevitabilidade de pertencer a alguém que reconhecemos ser errado, mas que não podemos deixar de desejar loucamente.

Nikki e Damien Stark têm segredos: camadas espessas e duras que ocultam um interior em chamas que grita pela sua libertação, para que lhes cortem as correntes interiores e que as passem para o exterior – mas de uma maneira mais sensual e deliciosamente dolorosa.

O sexo, ou tudo aquilo que ele representa, é um aliado poderoso na libertação emocional destas personagens. “Liberta-me” é construído com um enredo profundo, uma história com um passado doloroso, revelado aos poucos, nada óbvio e mais profundo que os típicos romances eróticos. Não é só sexo explícito porque sim. Este exige envolvimento. Exige paciência, paixão. Porque, no fim, somos obrigados a reconhecer que o sexo é um dos elementos mais poderosos de todo o mundo. E que, quando bem partilhado, é a coisa mais libertadora que nos podemos dar ao luxo de sentir.



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