“Longbourn: Amor e Coragem” | Jo Baker

“Longbourn: Amor e Coragem” | Jo Baker

"Orgulho e Preconceito" cruza-se com "Downton Abbey"

«Longbourn: Amor e Coragem» (Editorial Presença, 2014) podia ser mais uma das muitas sequelas de «Orgulho e Preconceito» escritas por autores contemporâneos. Mas não é.  Elizabeth Bennet e Mr. Darcy são aqui meras personagens secundárias, tal como todas as outras da estória original, revisitando-se o clássico de Jane Austen através da ótica dos criados.

Jo Baker carateriza de forma muito interessante a sociedade da época do ponto de vista de quem servia os senhores e de como funcionava uma casa. Com uma descrição bastante expressiva e detalhada das tarefas quotidianas de cada criado, o leitor consegue experienciar as dores, o cansaço, os cheiros repugnantes, a sujidade, a pobreza e a escravidão de quem não tinha a sorte de nascer em berço de ouro e que, a troco de quase nada, vivia para servir os outros sem qualquer agradecimento ou reconhecimento.

Neste livro, cuja ação é passada maioritariamente na casa dos Bennet, acompanhamos a vida pessoal de Sarah e Polly – as criadas -, de Mr. Hill – o mordomo -, Mrs. Hill – sua mulher e governanta -, e também de James Smith – que trata dos cavalos e ajuda no que pode. Todos eles saem da invisibilidade e dão vida à mansão dos Bennet de que, em «Orgulho e Preconceito», pouco mais se conhecia além da sala e dos quartos.

O único ponto menos entusiasmante do enredo é o relato dos anos passados da vida de James Smith que, apesar de importante para se perceber melhor o contexto da personagem, se alonga por demasiadas páginas, enquanto o leitor está ansioso por regressar a Longbourn, a casa dos Bennet.  Mas não é este detalhe que impede que «Longbourn», com uma escrita que prende o leitor, seja de leitura obrigatória para fãs da obra de Jane Austen ou da série “Downton Abbey”. E, se se gostar de ambos, então este livro é a cereja no topo do bolo!



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This