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Memoryhouse | “The Slideshow Effect”

Uma musiqueta de elevador que começa a irritar quando se repara nela

A partir do EP “The Years”, era fácil alinhar os Memoryhouse na pop hipnagógica, género musical muito na berra nos últimos dois anos e tal, que trabalhava o passado, não da maneira habitual (uma mera revisitação das influências), mas como uma sessão espírita em que os “fantasmas” eram invocados na produção caseira e roufenha, um rádio mal sintonizado nos espíritos de antanho. Num momento em que a cena chillwave, como alguns também gostavam de lhe chamar, dá sinais de ter debandado, os Memoryhouse como que foram deixados para trás, órfãos dela.

Os efeitos do abandono estão bem patentes em “The Slideshow Effect”, o primeiro álbum da banda formada por Evan Abeele e Denise Nouvion. Ao tentarem acompanhar a fuga à moda que deixava de o ser enquanto era tempo, os Memoryhouse, como que em pânico, despiram a sua música dos “truques” de “estúdio” — a reverberação com que inundavam as canções, a baixa-fidelidade —, deixando a nu as suas fragilidades.

Assim, em vez de chillwave, dão-nos tweegaze (não gosto mesmo do termo chillwave, só o uso aqui pela cadência da frase): canções choninhas com uns laivos da pop sonhadora de uns Cocteau Twins (a guitarra muito em filigrana, para não assustar). Claro que criar música celestial como a da banda escocesa é um exercício de equilíbrio e os Memoryhouse espalham-se ao comprido na xaropada anódina. Não ajuda, também, que a voz de Denise Nouvion, monótona, esteja longe das maravilhas da de Elizabeth Fraser.

Quando não estão a tentar ser os Cocteau Twins do século XXI, os Memoryhouse repescam a slide guitar ao country, que arrasta ainda mais o que já era modorra. Deste marasmo todo, apenas resulta uma musiqueta de elevador que começa a irritar quando se repara nela.



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