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Mesa @ Lux (15.05.2025)

É bom recordar.

Foi um anúncio que apanhou muita gente de surpresa, mas bem recebido. João Pedro Coimbra e Mónica Ferraz, a dupla por de trás dos Mesa, de volta aos palcos. O regresso foi celebrado em primeiro lugar na Casa da Música, no Porto, cidade natal do projeto, e eis que, uma semana volvida, desce a Lisboa para repetir a dose na mui nobre sala de concertos do Lux, em Santa Apolónia.

É justo dizer que ambos envelheceram graciosamente, com a voz de Mónica Ferraz a continuar a soar perfeita, com aquele encaixe perfeito nas canções que criou em conjunto com João Pedro Coimbra.

Mónica Ferraz surpreende surgindo a cantar no meio do público, um medley de três canções de que sempre gostaram, mas que, por um motivo ou por outro, por serem menos evidentes não eram tocadas ao vivo, mesmo com a banda a gostar muito delas: «Filamento», «Celafone» e «Sequela», todas do álbum de estreia homónimo.

A sala não está cheia, mas está muito perto disso. Um regresso após 23 anos, agora ao som de «Deus Grego». Entre o pop e o rock, por vezes com força, mas sempre cristalino. Custa a acreditar que estiveram tanto tempo ausentes.

«Luz Vaga» continua a ser uma bela canção. Palavras certeiras e um refrão que ficou gravado na memória mesmo que à primeira vista possa nem parecer a coisa mais óbvia, tudo com um subtil toque de jazz.

Os Mesa mantêm a capacidade de saltitar entre géneros e mesmo assim manterem uma identidade vincada. «Deixar Cair o Inverno» surge com as suas novas roupagens; um arranque num registo pop-rock e com um delicioso devaneio drum’n’bass, pelo meio.

Seguem-se «Fado Lunar», «Divagadora» e «Vício de Ti» e pelo meio a lembrança de um tempo em que existiam jornais de música, e que estes marcavam presença em eventos com bandas sem discos editados. Parece ter sido numa outra vida realmente.

Pelo meio Mónica Ferraz apresenta Filipe Louro no baixo e Gil Costa, na bateria, e num momento seguinte é apresentado, com a devida pompa e circunstância, Jorge Coelho, guitarrista que acompanha os Mesa desde o início.

Ao longo do concerto vamos sendo relembrados das inúmeras canções que os Mesa têm, daquelas que pelo menos toda a gente sabe o refrão. Isso vale ouro.

Ouvimos «Cede o Meu Lugar» e depois «Esquecimento», o primeiro single da banda, com uma gestão dos momentos ao longo desta canção a poder constituir um caso de estudo. Há aqui uma noção de pop de fazer inveja a muitos.

«Meio Bicho» e a pulsante «Mímica Sísmica» antecedem a breve saída de palco ou, nas palavras de Mónica Ferraz a “fita de sair para receber um bocadinho mais de carinho”.

«Tinta Invisível», transporta-nos para o início do século, quando o trip-hop ainda dava algumas cartas. «Quando as Palavras» antecede uma revisitação de «Luz Vaga», que começa com um refrão à capela a meias com o público, mas que facilmente resvala para uma reinterpretação completa para gáudio de todos, só porque sim.

Em boa hora os Mesa nos recordaram as suas (muitas!) magníficas canções.



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