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À Mesa…

João Pedro Coimbra, teclista compositor e letrista dos temas da banda, em discurso directo.

Vieram dar uma lufada de ar fresco ao panorama musical português, e vão já no quarto álbum, lançado em Novembro. A Rua de Baixo não cedeu o seu lugar no que toca a entrevistas, e falou com João Pedro Coimbra.

Porquê “Automático”?

O título de um álbum não é fácil de encontrar. No nosso caso sintetiza o processo de trabalho que gerou o disco. O facto de trabalhar com a Mónica há muito tempo torna o processo de trabalho muito espontâneo. No entanto, como parámos uns tempos, pensei que a nossa “quimica” necessitasse de uns ajustes, mas fiquei surpreendido com a forma rápida como tudo se desenrolou. “Automático” era a palavra que mais se ouvia no estúdio e acabou por ser o título do disco, e também de um dos temas.

Passaram três anos… os Mesa ficaram em stand-by?

Precisávamos de descansar um pouco para nos dedicarmos a projectos paralelos. O primeiro disco (“Mesa”) saiu em 2003 e desde então trabalhámos quase de forma exclusiva nos MESA. Parámos um ano mas continuámos a encontrar-nos, e a vontade de fazer outro disco começou lentamente a tomar forma. No fundo, os MESA são a nossa “cidade natal”. Quando vi que tinha temas que encaixavam no nosso “universo sonoro” mostrei-os à Mónica e começamos a trabalhar.

Quanto tempo levou este álbum a nascer?

Demorei um ano a compor as canções e as letras. Comecei a trabalhar em 2010 e em Fevereiro de 2011 estava gravado. Juntámos um grupo de músicos que já tocam connosco há alguns anos (Miguel Ramos, Rogério Santos e agora o Nuno Mendes) e ensaiámos até sentirmos que estávamos prontos para gravar. Depois disso foram 3 dias em estúdio, a gravar à “antiga”, todos juntos numa sala. Pretendia que o som base passasse exclusivamente pelos instrumentos da banda e só depois, a partir daí, começar a produzir e a acrescentar novos elementos.

Quais são as influências das vossas músicas?     

Acho que é a música que ouvimos e também os sítios por onde andamos, onde vamos e com quem estamos. Somos uma esponja que absorve tudo e isso acaba por se reflectir depois na nossa música.

São onze novas histórias?     

Cada tema conta uma história real, “meio-real” ou ficcional. Interessa-nos sobretudo explorar o formato canção de uma forma transversal, o que significa para nós ir desde uma canção simples, sem ser simplista, a uma canção mais complexa, onde não existem limites em termos de forma e meios. As letras surgem-me normalmente depois de criar os instrumentais.

Disseram que o vosso tema é as relações humanas. Este tema é a essência das vossas músicas porque, na verdade, nunca se esgota? 

Não só as relações humanas, mas também a pessoa em si. A natureza humana é extremamente rica e imprevisível e isso atrai-me e surpreende-me sempre.

O que vos levou a convidar, por exemplo, Armando Teixeira e Filipe Palas? 

Ficámos muito contentes com as participações e foram as canções que pediram as respectivas colaborações. Gosto muito do trabalho de ambos e quando terminei as músicas ouvia-os mentalmente a cantar com a Mónica. Há muito que acompanho o trabalho do Armando e já pensava em convidá-lo para uma colaboração e aconteceu no «Teia», que acho que resultou bastante bem. O convite ao Filipe acontece após ter assistido ao concerto dos Smix Smox Smux nos Maus-Hábitos. Gostei da sua espontaneidade em palco e acho que o diálogo entre a Mónica e o Filipe no «Fitas» expressa essa característica dele que era o que eu queria! É tambem um excelente guitarrista e o úlitmo tema do disco surgiu de apontamentos dele e que descontextualizei, através de loops.

Qual tem sido a reacção do público? 

A reacção tem sido incrível! O vídeo do «Cedo o meu lugar», que foi o primeiro single, chegou no primeiro mês às 100.000 visualizações. Nunca tínhamos tido uma resposta tão rápida. Claro que as expectativas, no lançamento de um disco, são sempre grandes até porque quando lançamos um novo disco é como se fosse o primeiro, mas neste caso superou as nossas expectativas o que para nós é mesmo gratificante!

Como têm corrido os concertos ao vivo? 

Foi óptimo voltarmos a tocar e a estar com as pessoas que nos querem ouvir, frente a frente. É em parte devido a isso que gravamos discos. Existe uma partilha, uma relação que se cria. Os concertos têm sido fantásticos e é sempre uma sensação única quando ouvimos as pessoas a cantarem os temas novos, como acontece com o «Cedo o meu lugar».



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