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Inóspita @ Lux (23.01.2025)

A hospitalidade da Inóspita.

À entrada entregam uma página A4 com o alinhamento, para um concerto com uma matriz essencialmente instrumental. Simpáticos!

Em “E Nós, Inóspita”, Inóspita dá um seguro passo em frente, é seguro dize-lo agora que estão volvidos alguns meses sobre o lançamento do álbum, e tivemos tempo (e muita vontade) de o degustar devidamente. De «Inós» a «Só»; da primeira à última canção.

Eis que chega o momento de o sentir ao vivo, com convidados que tornarão a hora que de seguida se descreve, numa bonita recordação. Mas avancemos para o próximo parágrafo.

No palco há uma tela  ao fundo, que estará a cargo de Inês Aires. Depois há muitos pedais e guitarras. «Profeta», do primeiro álbum de Inóspita, “Porto Santo” apresenta-se delicada. No ecrã, uma imagem da capa do álbum em que Inóspita surge apenas como uma silhueta. Em transformação. Já «Fofocas», do novo álbum, tem uma dicotomia sonora que se entranha nos canais auditivos. «Cubanos» leva-nos, novamente, ao álbum que tem por nome a segunda ilha do arquipélago da Madeira. Há um dedilhar singular, que nos presenteia com momentos distintos. Afundamos, mas lutamos, esbracejamos e acabamos à tona de água a inspirar profundamente.

«Canção para Bruce» é dedicada ao Springsteen, influencia importante. Num telefone daqueles da primeira metade do século passado que ali repousava junto aos pedais, atende-se uma chamada, sempre com um ruído de conversa como pano de fundo. «Musa Ausente» é um (mais um) momento de inspiração. Segue-se «Só» ou como dizê-lo apenas com as cordas de uma guitarra, mesmo aquele momento em que julgamos que não o estamos, mas em vão…

«Março» e «Cintra I & II», provêm de álbuns distintos, mas o mar em pano de fundo, sempre o mar, funciona como uma ponte de ligação.  O mar é imenso. Uma forma de nos lembrar do quão insignificantes somos, mas não menos relevantes. Sós ou acompanhados. Ansiosos ou eufóricos. Tudo isto nuns frames e nas cordas de uma guitarra. Belo.

«O Retrato de Cid Rosa». Aqui a memória é tudo. É o que prevalece. Para os que cá estão, mas mais importante por aqueles que já não estão cá. E o «Colinho» foi mel.

Segue-se o presente e o futuro, radioso, neste pequeno, mas essencial palco. É «Inós» com a participação de Ana Lua Caiano. Arrepia.  Para o encore o omnipresente produtor, técnico de som de serviço e amigo, Chinaskee, junta-se a Inóspita no palco. No final surge «Taberna», que nos leva novamente – e pela última vez nesta noite – até ao álbum de estreia, no seu tom boémio e cativante.

Maravilhoso concerto.

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Fotografia por Diana Martins.



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