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MGMT @ Campo Pequeno

Fim de festa.

Casa cheia – ou perto de – no Campo Pequeno para aquele que foi o último grande concerto de 2010 no passado dia 18 de Dezembro. Antes do concerto, vimos um ou outro fã vestido a rigor e alguns estrangeiros para o também último concerto desta digressão dos MGMT. Vem aí o Natal e há que viajar para perto da família.

A história dos MGMT já foi contada centenas de vezes. Vamos resumir: Um disco, duas canções capazes de fazer desviar o eixo da Terra (qual terramoto no Chile!) e uma viagem à Transilvânia depois, o duo composto por Andrew VanWyngarden e Ben Goldwasser decide dar um passo atrás, que afinal são dois em frente – como corpo inteiro, “Congratulations” é claramente superior a “Oracular Spectacular” e – mais importante – mantém o factor surpresa. Porque ninguém estava à espera disto. O suicídio comercial, a ausência de refrões e a dificuldade em transpor o álbum para um palco acabam por se revelar apostas ganhas – “Congratulations” figura, com todo o mérito, em grande parte das listas de balanço anual.

Para os que receavam uma sabotagem a “Oracular Spectacular”, os MGMT acalmam as hostes com «Youth». Segue-se «Time to Pretend» e aquela linha de teclados imortal mais aquela letra intemporal – sem dúvida, uma das melhores canções da década dos zeros. Chega, por fim, uma canção do álbum deste ano, «Song for Dan Treacy» e as suas teclas fantasmagóricas – os Beach Boys como referência – e a repetição – coisa rara neste disco – da frase “He Made is Mind Up”. Ouvimos a óptima «Weekend Wars» e a perfeita «I Found a Whistle». Olhamos para as imagens psicadélicas no pano de fundo branco e ouvimos, apropriadamente, os primeiros acordes de «Flash Delirium». “Electric Feel” mostra de uma vez por todas que não, os MGMT não decidiram dar nova roupagem, ao vivo, às canções de “Oracular Spectacular”. Em «It’s Working» lembramo-nos dos The Mamas & Papas e, depois, temos um ou outro momento mais Floydiano.

E eis que pouco antes da primeira saída de palco surge a canção mais esperada da noite, «Kids», e uma reacção eufórica – explosão de gritos, assobios, saltos na plateia, uma bancada em pé, telemóveis ao alto, mais do que uma canção que se tornou maior que a própria banda, um hino, um hino que toda a gente conhece. Em palco, toda a banda deixa os instrumentos e junta-se à celebração – há apenas lugar a um orgiástico solo de guitarra. Fim de festa para os fãs do primeiro disco.

Mas os MGMT não quebram no ritmo e oferecem «Brian Eno» – vimos algum público a abandonar a sala depois de «Kids» – e apresentam aquela que é, segundo Andrew VanWyngarden, a última canção da noite, o que não é mais do que VanWyngarden a troçar – a coisa não dura mais que cinco segundos.

Para o encore, o público chamou a banda entoando a melodia de «Kids». VanWyngarden elogia os dotes vocais do público português, anuncia uma última canção e defrauda as expectativas dos presentes: canção longa, de vários minutos, cheia de referências psicadélicas, guitarras wah wah e afins. Acabam com a belíssima «Congratulations». Fim de festa.

Na primeira parte, os Smith Westerns mostraram alguns bons riffs, mas não convenceram em palco como parecem convencer em disco. O próprio single, «Weekend», é uma grande canção de estúdio que acaba por não soar tão bem ao vivo. Recebidos de forma fria, só pararam para dizer algo como “Ok, Obrigado. Aqui vem outra canção”, o que mostra ainda pouca rodagem e falta de à-vontade em tocar ao vivo. Na última canção vemos o guitarrista de aspecto hippie dos MGMT juntar-se em palco – não se acrescentou grande coisa, mas prova que pelo menos, os Smith Westerns vão fazendo bons amigos.

Fotografia por Ruben Viegas



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