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Michael Bastian

A história do melhor designer de roupa masculina. Prémio atribuído pela CFDA.

Michael Bastian, o homem que começou a sua marca em 2006 e esteve quatro vezes nomeado para o prémio de melhor designer de roupa masculina, ganha finalmente a sua recompensa em 2011. É por fim nomeado pelo Conselho de Designers de Moda da América (CFDA). Um homem que vende as suas t-shirts a $475 e hoodies a $1.270 dólares em lojas como Bergdorf Goodman e Barneys. Um homem que vem sendo considerado como um dos mais promissores designers dos últimos tempos. O seu conhecido toque luxuoso mas discreto atribuído à roupa desportiva norte-americana é já a sua imagem de marca. “Um designer com um d pequeno” é como se intitula. Não focado na revolução mas em aperfeiçoar a roupa que já se veste hoje em dia. Um império de milhões construído em apenas em cinco anos, tendo a recessão atingido três deles, e visto que Michael se foca apenas numa fracção do mercado total – roupa masculina – não está nada mal, não senhor. Bastian tem sido homenageado em vários aspectos menos, claro, no preço das suas roupas.

Foram necessárias algumas mudanças no mundo Bastian. Uma delas foi cortar com o seu parceiro Brunello Cucinelli, o que aconteceu em Dezembro passado. Isto permite-lhe baixar em 20% os seus preços. A dúvida com a qual se depara é: Como baixar o preço, sem baixar a sua exímia qualidade?

Esta mudança trouxe algumas consequências e o criador teve de se afastar da moda durante uma estação. A sua colecção Primavera/Verão 2011 está aí, inspirada em Calypso e em animais marinhos – mais precisamente focas marinhas -, mas não haverá uma colecção Outono/Inverno 2011. “É assustador”, confessa o designer Jonathan Durbin, do site Esquire.

Bastian sempre deixou claro de onde vinham as suas inspirações. O seu pai, professor de história da 6ª classe, também chamado Michael, foi a sua maior inspiração. Bastian, criado em Lyon, Nova Iorque, uma pequena cidade no litoral sul do Lago Ontário, com um clima mais parecido com o Canadá do que com Manhattan, lembra o seu pai e os seus amigos em Levi’s, calças de cinco bolsos, blazers navy e camisas de flanela. Nessa altura “men were preppy (…) Real-guy preppy”.

Bastian começou o seu percurso quando saiu de casa para ingressar no Babson College, uma escola de gestão e negócios em Wellesley, Massachusetts, perseguindo o seu sonho de ser um publicitário de Madison Avenue, bem ao estilo da série “Man Men” – que confessa ver. Após a sua licenciatura, mudou-se rapidamente para Nova Iorque onde se dedicou à área de vendas na Abraham & Straus, uma loja que já se encontra extinta. Seguidamente, fez uma pequena aparição como assistente de moda na Avenue, uma modesta revista nova-iorquina. Trabalhou como copywriter na divisão de bens imóveis da Sotheby e desenhou chãos para a marca Polo Ralph Lauren.

Se até aqui o seu percurso tinha sido peculiar, agora é que as coisas começam a ficar realmente interessantes.

Pedro Rizzo, que liderava a divisão comercial da Polo na época, saiu em 1999 para se tornar presidente da Bergdorf Goodman e precisava de sangue novo.

Rizzo contratou Robert Burke, outro ex-funcionário da Polo (e um dos amigos mais próximos de Michael na cidade) para se tornar o director de moda da Bergdorf. Por sua vez, Burke sabia exactamente quem queria ter como responsável pela moda masculina.

Bastian trabalhou cinco anos na Bergdorf Goodman como director de moda masculina. Uma esponja que assimilava todos os conselhos e aprendizagem que lhe eram dados por Burke e Rizzo. Numa pequena viagem a Itália para fazer shopping, Michael parou em frente a uma casa de costura italiana, onde se vendiam casacos desportivos, algo que ele amava. Mas quando viu o preço imediatamente esqueceu a ideia de os trazer para Nova Iorque. Rizzo – que o havia enviado nessa nessa viagem de “pesquisa” – respondeu “Michael, eu não te pago para tu te preocupares com quanto custa algo. Eu pago-te para tu encontrares o melhor que existe lá fora. Há um monte de pessoas que compram um desses casacos de $4.000 como nós compramos um pacote de Oreos. Não é nada! Esse tipo de produto tem o direito de existir.” Michael aprendeu bem a lição, até demais.

Por volta de 2005, 2006, o criador teve uma epifania: criar o chino perfeito. Uma calça limpa, trabalhada, skinny na perna (mas não muito), uma cintura baixa (mas não muito) e feita de materiais de alta qualidade.

Foi quando Bastian se reuniu com Cucinelli – futuro sócio -, que conhecia da Bergdorf, para ajudá-lo a procurar os tecidos perfeitos e a coordenar a produção – não só de chinos – mas de toda a sua nova colecção.

Para a sua estreia em Outono de 2006, o criador apresentou uma colecção básica inspirada no poeta norte-americano Frank O’Hara. Claro, os perfeitos chinos, as jaquetas habilmente detalhadas, blusas confortáveis e shorts desgastados mas muito clássicos, tinham de estar presentes. Eram a sua marca. Peças que foram sofrendo variações mas que se tornaram “o pão nosso de cada dia” nas suas colecções. Estas que ainda incluem tudo a que têm direito, desde roupa de banho a smokings, muitas vezes no mesmo desfile. Michael tinha o desafio e a missão de tornar melhor, aquilo que já existia. Uma forma de o fazer, foi apostar na qualidade, em grande parte possível pela sua parceria com Cucinelli que lhe proporcionava os melhores tecidos. E com eles, os preços vão aumentando…

Mas cinco anos e dez colecções mostraram às pessoas e ao próprio designer que nem ele tinha dinheiro para comprar as suas próprias roupas. A experiência de Itália levou-o mesmo à séria.

Os parceiros separam-se o ano passado e Bastian estaria a “começar de novo”. Esta parceria não estava a resultar para os seus clientes. Contudo uma extingue-se, outra nasce. Fundada em New Haven em 1949, a sport Gant tinha encontrando um lugar confortável no mercado, alcançando a segunda melhor posição do mundo, em 1960. Contudo, mudou de mãos algumas vezes e em 2008 foi parar ao pulso da empresa suíça, Maus Frère, que por sua vez produzia a Lacoste, mudando toda a estrutura da Gant. Michael apresenta-se novamente ao serviço para criar a sua primeira colecção cápsula da Gant em Outono passado.

A linha da Gant assinada por ele, é a irmã gémea da sua linha principal, bem, a sua irmã mais nova. Tipicamente norte-americana e a custar 15 ou 20% mais do que as típicas linhas Gant, mas mesmo assim consegue ser ainda mais barata que a sua linha principal.

O tema para a sua colecção de estreia e a sua inspiração não podia ter sido mais peculiar: Arthur Miller e Joe DiMaggio; os homens da vida de Marilyn Monroe. O designer queria que as mulheres se interessassem pela sua moda, pela moda masculina, apesar de não haver nenhuma linha para mulher, pelo menos ainda.

A Gant salvou a Michael Bastian, enquanto esta não ressurgia das “cinzas”. A irmã mais nova iria sustentar a irmã mais velha por uns tempos. E esta já se encontra sã e salva em lojas seleccionadas pela marca a partir desta temporada Outono/Inverno 2011.

Michael Bastian está a preparar o seu regresso em 2012, com a sua colecção Primavera/Verão. Neste momento o importante é encontrar novas fábricas, remodelar o seu novo escritório, e descobrir como vai exactamente baixar os preços das suas peças sem que estas percam qualidade. Muitos acreditam nos seus feitos grandiosos, mas este, prefere apostar na preserverança. A mesma que faz parte da maior qualidade norte-americana, que inspirou a sua colecção de Outono de 2009 e que o trouxe até aqui. Vencedor do Prémio de melhor designer de roupa masculina pela CFDA.



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