Milhões de Festa 2012 | Dia #2 (21.7.2012)

Milhões de Festa 2012 | Dia #2 (21.7.2012)

Do hip hop da street aos riffs poderosos de Weedeater

A tarde começou com GNOD, a banda que quase conseguiu a proeza de tocar em todos os dias do Milhões de Festa 2012. Houve momentos em que entraram numa cadência reggae, o concerto teve sempre um beat bem marcado com um vocalista muito frito, provavelmente de excesso de psicotrópicos na juventude, mas sem dúvida com uma grande pausa. Um bom concerto para abrir as hostes do dia mais quente.

Reveagence foi pesadão; as duas vozes, masculina e feminina, juntaram-se num verdadeiro death hardcore metal. Seguiram-se Moulinex e Xinobi porque alguns manos dos Bro-X ficaram presos no tráfego da Invicta. E foi assim um fim de tarde MTV na piscina onde só faltava mesmo o cocktail. Da Chick juntou-se aos dois djs e fez o povo todo dançar. A miúda tem pinta e sabe o que faz, só é pena que insista em dirigir-se ao público em Inglês. Não querendo ser patriótica ou velha do Restelo, não estamos no Bronx. E, falando nisso, não são do Bronx mas são os manos do Xangai, e quando finalmente entraram em palco foi qualquer coisa… Não houve uma pool party cheia de babes – talvez tivesse sido assim se os Bro-X tivessem conseguido manter o horário das 17 – não, o concerto destes gangstas foi pesado, a fazer lembrar que eles são uns brothers da street. Mas houve direito a dançarino, o G-3, um puto que se mexe como ninguém e que entra no espírito da cena com um à-vontade incrível, houve um público que esperou até ao fim pelo concerto e que sabia as letras todas de “Beyoncé”, o albúm dos Bro-X, e por isso mesmo quando o equipamento falhou continuaram acapella com «Karla puta», essa rapariga que também se meteu com o Fua, dizem. Nick atirou-se à agua e fez breakdance no meio dos fãs, os manos chamaram por Jibóia, e G-3 foi literalmente carregado para a piscina por Hélio, aquele do “medo não me assiste”. Faltou «Zé do love», até porque o concerto acabou abruptamente depois de um corte no som.

Não houve tempo para grandes jantares porque Blue Pills já se faziam ouvir no palco Milhões. O grupo da Suécia que tem na sua formação elementos dos Radio Moscow apresentou um rock clássico super consistente, um grande concerto em que a vocalista declarou ser “the most amazing moment in [her] life”.

No palco Vice, Lüger trouxeram um rock psicadélico com uma guitarra bem estridente e antecederam El Perro del Mar que veio literalmente dar-nos a premier do seu novo álbum. As músicas são muito mais dançantes, mais electrónicas e menos melódicas do que o que lhe conhecíamos. O concerto pecou pelo excesso de covers, mas continua a encantar com a sua voz suave, embora tenha desiludido alguns dos fãs mais fieis às suas canções etéreas.

Com um bpm que praticamente não muda ao longo de todo o concerto, os Prinzhorn Dance School deram um bom concerto onde o baixo é o rei. As canções vivem da repetição e da conjugação das duas vozes desta dupla britânica. No palco Milhões, Conan Mockassin foi mágico; ele tem uma voz tão doce que parece mel quando nos chega aos ouvidos, depois olha para nós e sorri docemente… não há como não ter simpatia pelos meninos mais stylish do dia. Tem um timbre de voz que lembra a do seu conterrâneo Angus, da dupla Angus & Julia Stone. Reserva para último a «Forever Dolphin Love» e pede-nos com o seu ar delicado que nos sentemos enquanto troca de papeis com um dos fotógrafos na zona de imprensa. Um concerto meigo antes dos incríveis Gala Drop, a provar que o nacional é mesmo bom. Não só tiveram um som super consistente, como conseguíamos perceber os sons de todos os instrumentos em palco quase com uma minuciosidade de melómano. As percussões dão um toque tropical ao seu psicadelismo mantrico e houve oportunidade até para um crowdsurf melódico. Depois, Weedeater a fechar o Palco Mlhões. Foi metal à grande com um vocalista dono de uma voz que fazia lembrar a de Goblin do Senhor dos Anéis. Nas roulottes das bifanas havia até quem acompanhasse as letras a meia voz, enquanto preparava as sandes.

Ghunagang conta com Ghuna X e Rey, e foi poderoso, foi aquele hip hop à séria vindo directamente das ruas do Porto. Rey provou que sabe ser mesmo um rei no palco. Com dois mics, um deles cheio de reverb, lançou-nos palavras ácidas acamadas pelos beats bem marcados de Ghuna X. Grande concerto, com direito a um recado assertivo ao Rio. Não o Cávado, o outro, o da Invicta. Terminámos a noite a ouvir Publicist no caminho para o campismo, o senhor que tem uma pinta descomunal quando descansa à beira da piscina. Tocou no chão, rodeado pelo público. Deu para dançar bastante. Faltou-nos ouvir «Hoy», mas conta-se que houve grande after no Palco Taina. Foi até de manhã.

Fotografia por Mariana Rosa. Galeria disponível aqui.

Reportagem do primeiro dia do Milhões de Festa 2012 aqui; terceiro dia aqui.



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