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MODALISBOA LEGACY #2

Cores frias para a estação quente são a anti-tendência da próxima estação. Como é que uma anti-tendência pode ser omnipresente num evento conhecido pelas tendências que cria?

O modéliste françês Christophe Sauvat iniciou o segundo dia da ModaLisboa – Legacy com uma coleção boho chic surpreendente. Apoiando-se no seu tema de sempre, — o mundo sem fronteiras — o estilista e a parceira Filipa Abreu tomaram a liberdade de aglutinar diversas culturas numa silhueta sem-par. Tecidos leves, muita cor, pequenos retalhos e sedas com um intenso trabalho de bordado e lantejoulas espelham a magnificência da casa, recuperando o trabalho artesão com um esplendor e minúcia que os seus admiradores tão bem conhecem.

Romper com tudo o que tinha sido feito até agora pelo estilista e abrir as portas a algo muito mais pop e prêt-à-porter é a visão de Ricardo Andrez para a coleção primaveril. A transição perfeita de invernos rigorosos para primaveras luzidias é concretizada subtilmente por pequenos rasgos de transparências que emergem ao longo da sua coleção através do crepe de algodão. A cor permanece fiel ao ADN do designer, que se recusa a largar o azul-escuro, contrariando a explosão de cor do desfile anterior. Numa paleta monocromática e chapéus arrojados que nos transportam para os oceanos e em segundos nos devolvem à terra e nos impregnam de ténues padrões florais.

Michal Szulc foi o estilista convidado desta edição da ModaLisboa. O polaco, com atelier em Varsóvia, apresentou uma coleção easy chic que primou pelas tonalidades brancas e toupeira com uns ressaltos de burgundy. Peças funcionais e numa geometria encantadora marcaram os figurinos perfeitos para um summer in the city.

Tempos de contenção exigem silhuetas à altura. Numa coleção sofisticada e minimalista, Filipe Faísca num espetáculo com instalações da artista Joana Vasconcelos, repleto de jogos gráficos com referências à Pop Art, conciliados com figurinos geométricos e uma evidente inspiração dos 60’s elucidam a essência sofisticada e luxosa da etiqueta. Optando pela componente mais moldável e estruturada do algodão em detrimento das sedas e fazendo uso da sua colaboração com a Vole Swimwear, arrisca em fazer valer das exigências do verão português, com fatos-de-banho minimais e monocromáticos que reluzem pelo seu esplendor sublime. Como falar em Faísca é, cada vez mais, sinónimo de múltiplos pares de Louboutin, foram os icónicos sapatos de sola vermelha os eleitos pelo estilista para complementar a sua coleção.

Sair do Brasil, desfrutar do melhor da América Latina e terminar o dia com o sol da Califórnia. Étnica e tropical são os conceitos chave que marcam a viagem de silhuetas da Cia. Marítima. Explosões de cor são amenizadas por padrões mais serenos e tropicais. Seda, rendas e algodão preenchem os habituais caftans da marca, suavizados por saias lápis e leggings com fortes ligações ao surf. Um desfile que contou com a presença da atriz Jessica Athayde e da top brasileira Carol Francischini, pontuado pela sensualidade habitual de que a marca já não descuida.

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Cores frias para a estação quente são a anti-tendência da próxima estação. Como é que uma anti-tendência pode ser omnipresente num evento conhecido pelas tendências que cria? É simples. O estilista Luís Carvalho, com a coleção Un|formal, é mais uma das provas. As cores quentes incendeiam-nos enquanto as tonalidades pastel nos transmitem a constante sensação de calor pelo toque de frieza das cores; e ao mesmo tempo, em sentido inverso, aliviam a sensação de calor pelo toque da sua tonalidade pacífica. Os guaches fortes cedem lugar às aguarelas que invadem a passerelle numa ode ao Blazer em plena desconstrução com silhuetas XL.

Apelidada Matchpoint, a coleção do designer Carlos Gil metamorfoseou-se na linha da vida. Os ténis que cortam a rigidez dos outfits funcionam exclusivamente para delimitar o jogo da existência numa coleção marcada por linhas e polka dots unicolor. Mais uma vez, o preto e o branco foram as estrelas da passerelle, numa coleção com forte ligação emocional (ou não fossem os prints utilizados eufemismos para a própria linha/percurso do estilista e os pontos díspares da sua carreira).

A encerrar o segundo dia de Legacy, Miguel Vieira | Man à semelhança das restantes Fashion Week’s, separa a sua coleção em apresentações distintas. Quando se encontra a fórmula quimérica, o melhor é fazê-la permanecer. Deste modo, o designer optou por manter os contornos dos fatos inerentes à sua etiqueta, inovando somente na escolha dos tecidos sublimes que dotam as suas criações e de diferentes padrões que conferem à coleção o toque de requinte informal exigido pela estação mais quente do ano.



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