Mtv European Music Awards

EMAs @ Lisboa

Ignorando aqui o evento principal em si, a entrega dos prémios Mtv em Lisboa foi enquadrada por uma pré e uma after party que aconteceram no Lux (dia 2) e no Pavilhão de Portugal (dia 3) respectivamente.

Se no Pavilhão Atlântico se centralizaram actuações viradas para o mainstream, com prémios atribuídos por milhões de votos num anual concurso de popularidade, para os mini-eventos acima referidos ficaram reservados nomes ligados a um circuito musical mais alternativo do universo do Djing – Headman, Damien Lazarus, DJ Koze, 2manyDjs e Optimo – assim como projectos de fusão entre rock e dança – Soulwax e Who Made Who.

A semi-private-pre-party, como vinha referida na Luxagenda uns dias antes, acabou por se provar acessível mesmo sem o nome numa guestlist, bastava que para isso se aparecesse cedo e comprado alguns dos bilhetes disponíveis.

O ponto de atracção mais forte era mesmo a apresentação dos Soulwax em modo “nite versions”; trabalho editado recentemente, onde se encontram versões das músicas de «Any Minute Now» com um cariz (ainda) mais dançável e com a faixa bónus «I love Techno». De referir que existe edição em LP e CD, como habitualmente, mas contendo a edição em vinil todas as faixas separadas e a segunda como cd mixado (com «Another Excuse» como extra).

O ambiente foi-se compondo e se os concertos costumam estar marcados para as 22/23h já todos sabem que é mais próximo da 1h da manhã que acabam por começar na realidade. Devo dizer que já tinha lido sobre as actuações das versões nocturnas em Inglaterra e França e as minhas expectativas eram bastante altas. Se no concerto no Lux de há uns meses atrás já tinha tido energia de sobra, os irmãos Dewaele conseguiram aumentar ainda mais a intensidade tocando de forma contínua todos os temas e encaixando ainda no alinhamento «Washing Up»  de Thomas Andersson e uns acordes de «geht’s noch» de Roman Flügel (que arrancou uma reacção curiosa do público, indecisos entre a defesa de um dos co-autores de «Rocker» e o ataque ao hype dos meninos de chapéu de pala). Actuação irrepreensível.

A dispersão na discoteca aconteceu rapidamente e a maioria rumou ao Bar onde Nuno Rosa já aumentara o ritmo antecedendo a actuação de 2manyDjs. A escolha mash-up entre temas mais pop e reconhecíveis das últimas décadas, que trouxeram as compilações “Radio Soulwax” e “Hang All Djs” para as pistas de dança, foi substituída por uma playlist muito difícil de rotular (e ainda bem).

O som está mais forte e o método rotativo utilizado pelos dois irmãos de uma/duas músicas a cada um, praticamente não deixa respirar um tema por muito tempo, como se tivessem constantemente a rodar o botão de um rádio onde todas as estações fossem boas. Houve um tema que me chamou particularmente à atenção – algo que já tinha acontecido com Trevor Jackson – uma versão do «Voulez Vous» dos Abba completamente explosiva, que começa com o tema original para depois o destruir em pedacinhos e criar um outro completamente esquizofrénico.

O piso superior acabaria por ficar a cargo de Headman com o inferior entregue a Dj Koze e Damien Lazarus, tendo sido a actuação de Marcelo D2 cancelada por problemas relacionados com a viagem para Portugal.

No dia seguinte houve o cumprimento de todo o aparato encontrado nas últimas semanas no Parque das Nações. Apenas vi fragmentos da cerimónia mas tive a sorte de apanhar a actuação holográfica dos Gorillaz, algo que ultrapassou as previsões de muitos (certamente de alguns jornalistas da Mixmag que numa das últimas edições da revista escreveram um artigo com toques de cepticismo acentuados sobre esta possibilidade).

No seguimento da entrega dos prémios houve lugar para diversas after-party em locais desconhecidos em alguns casos e bem conhecidos noutros, nomeadamente no Pavilhão de Portugal, no Buddah Bar e na Kapital. Se os dois últimos locais atraíram a imprensa pelo autêntico despejar de celebridades, o Pavilhão de Portugal serviu de almofada aos EMAs.

Uma ridícula falta de coordenação da organização impediu a entrada antes das 2h a quem detivesse convite para a after-party… ou seja, a actuação dos Who Made Who foi apenas presenciada por quem já lá estava dentro, apesar do nome destes estar inscrito no convite.

Apesar deste incómodo contra-tempo foi um acontecimento incrível. O Pavilhão de Portugal, com as suas múltiplas salas, estava irreconhecível. Talvez o melhor modo de descrever seja a maneira como percorri o espaço. Pelas 2 da manhã o andamento da festa já era bastante puxado, na sala principal, antecedida por uma zona lounge de sofás e cortinados brancos, havia um total ambiente Club (com um quente jogo de luzes) completamente ao rubro onde actuavam os 2manydjs, mantendo a linha seguida no Lux um dia antes.

Depois do “choque” decidi dirigir-me à sala seguinte; escura, com um pequeno bar, esta não era mais que uma paragem para o corredor que ligava ao espaço dedicado ao Rn’B/HipHop/e afins; bem, aqui o ambiente de cabaret era total, uma sala decorada com fitas prateadas penduradas desde o tecto e com uma espécie de palco central (de altura considerável) onde dançavam um conjunto de bailarinas de sambódromo vestidas em completo rigor. A esta sala parecia não seguir mais nada… mas não! Uma nova sala dava lugar a uma outra lounge e ao lado onde uma pequena porta chamava à atenção pelas luzes que de lá saíam. Por cima desta havia uma placa que dizia Toilets, isto é, numa das casas de banho do piso de baixo estava montada uma mini-discoteca com Djs e luzes a condizer, sem dúvida um dos hot spots de toda a festa devido à qualidade da música e pelo ambiente criado no interior. Uma visita ao pátio e ao piso superior completaram o tour, mas ao chegar ao cimo das escadas oiço “damme gazoliiina….” e foi o suficiente para não pôr lá os pés o resto da noite.

De volta à sala principal, e desta vez para ficar, assisti à transição para Optimo no comando da cabine. Para que não conhece estas dupla de escoceses aconselho a audição da compilação “How to Kill The Dj Part 2” (Tigersushi) ou a “Psyche Out” (Eskimo). Actuam num registo semelhante de bootlegs e mash-up, mas com um teor um pouco mais alternativo em termos de escolhas e com muitos re-edits à mistura, num misto de live act e Dj Set.

Não houve aqui lugar para muitas caras conhecidas, tanto estrangeiras como portuguesas o que acabou por ser muito positivo, sem pontos de distracção aparte da música e decoração. O clima de festa foi constante e os muitos bares (abertos e com uma escolha alargada) geridos com muita eficácia e divertimento simplificaram ao máximo a tarefa de ir buscar um copo.

As salas começaram a ser isoladas por volta das 5.30 e quem ainda estivesse em condições poderia partir para outros locais, secretos ou não.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This