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Nier: Automata | Análise

"Num futuro distante, as máquinas travam uma guerra incessante, alheias à futilidade das suas acções..."

Janeiro e Fevereiro já lá vão, 2017 arrancou a todo o gás e não dá provas de querer abrandar! Quem agradece, claro, são os jogadores, ávidos por novas e variadas experiências. É seguro dizer que este ano não tem dado tréguas a corresponder às suas expectativas e de que maneira, visto que, lançamento após lançamento, raros têm sido os títulos que não têm sido considerados de eleição. A sério, isto tem sido de loucos; até já dei nome à traça que habita na minha carteira, de tanto a ver… Mas continuemos. Depois de ter brindado os fãs com Kingdom Hearts HD 2.8 Final Chapter Prologue que lhes dá um pequeno vislumbre do futuro da série, ainda no final de Janeiro, a Square Enix mostra que ainda tem trunfos na manga. Eis que hoje, dia 10 de março, chega à PlayStation 4 – no PC, os jogadores terão de aguardar por dia 17 – Nier: Automata, a sequela do jogo de culto da PS3, Nier.

 Tendo em conta de que temos aqui em mãos uma sequela, seguramente que a primeira, ou uma das primeiras perguntas a passar-vos pela cabeça se irá prender no facto de terem de completar o jogo original, de modo a que possam desfrutar de Nier: Automata. Mentia se dissesse que não são vários os piscares de olhos presentes neste título, tanto ao seu antecessor como à própria série Drakengard (cujo quinto final do primeiro título da série deu origem a esta). Uma homenagem a tempos que já lá vão que não irão escapar ao olhar atento dos veteranos e que seguramente ajudam a enriqueceer mais a experiência de jogo. Mas ainda assim, os eventos deste jogo ocorrem num futuro já muito distante – milhares de anos depois, para ser mais preciso – e o facto de não terem completado o original pouco ou nada irá comprometer a vossa experiência de jogo, bem como a vossa percepção dos eventos que nele ocorrem.

Sem vos estragar nada do que vos espera, a história tem lugar num futuro pós-apocalíptico do nosso planeta; resultado de uma invasão levada a cabo por seres alienígenas mecânicos. Esta invasão obrigou a humanidade a abandonar o planeta Terra em busca de refúgio. Numa última tentativa de reclamar de volta o nosso planeta, a resistência decide enviar uma unidade de soldados androides capaz de fazer frente aos invasores. Este acto de retaliação apenas serviu para desencadear uma guerra sem tréguas, entre máquinas e androides, que ainda hoje perdura. Um conflito que está prestes a revelar um mistério há muito esquecido sobre o nosso planeta e… mais não digo!

“Num futuro distante, as máquinas travam uma guerra incessante, alheias à futilidade das suas acções…” Nier: Automata conta-nos a história de três androides, 2B, 9S e A2 e só depois de concluirmos as respectivas campanhas é que realmente poderemos descortinar o seu verdadeiro final. Isto traduz-se em largas horas de jogo e num impressionante RPG de acção mas que, ainda assim, não é perfeito. Visualmente, apesar de cumprir muito bem, vezes houve em que Nier: Automata ficou um pouco aquém das minhas expectativas em algumas das suas secções e o elevado número de quests paralelas à da história principal, apesar de bem-vindo nem sempre conseguiu prender o meu interesse, uma vez que volta e meia me obrigavam a regressar a cenários previamente explorados, muitas delas antes ainda de ter desbloqueada uma funcionalidade equivalente à de um “Fast Travel“. Felizmente que, em contrapartida, o regresso a estas áreas mostrava-me que havia sempre mais alguma coisa a descobrir. Aliás, logo a início do jogo percebi que explorar é mais do que obrigatório, visto que os segredos, estão em toda a parte e surgem nos mais diversos tipos e feitios; seja na forma de chips com os quais podemos aumentar os nossos atributos defensivos e ofensivos, novas armas, dinheiro ou até mesmo consumíveis.

Cidades em ruínas, desertos, florestas, até um parque de diversões, vi de tudo um pouco e, apesar de alguma repetição, nunca me aborreci e a vontade de chegar ao final foi crescendo à medida que progredia na história. As máquinas estão por toda a parte e a luta contra elas resultou numa experiência inesquecível. A jogabilidade, agora aos cuidados da Platinum Games é sem dúvida digna de destaque. Tal como acontece em Bayonetta, o leque de armas ao nosso dispor é variado e pode ser equipado em pares e as combinações possíveis variam consoante a mão em que as equipamos. Excusado será dizer que também aqui o combate se traduz num verdadeiro espetáculo visual (aqui, sim) frenético e aliciante à medida que alternamos entre ataques fortes e ligeiros e nos desviamos dos ataques inimigos; façam-no no momento certo e podem dar origem a um efeito semelhante ao “witch time” que deixa os nossos opositores vulneráveis a uma sequência de movimentos devastadora.

Aliado a esta mecânica de combate está um igualmente extenso leque de personalização do nosso andróide. À medida que vamos progredindo ou vamos interagindo com alguns vendedores, podemos adquirir novos chips que, para além de aumentarem os nossos atributos defensivos e ofensivos (algo que já mencionei em cima), podem ainda conferir-nos algumas habilidades passivas e também algumas funcionalidades para o nosso Pod. Um fiel robô que nos acompanha ao longo da nossa aventura e um forte aliado em todos os confrontos com os quais nos vamos deparar. As combinações são imensas e o mesmo se pode dizer do leque de armas, pelo que não será difícil personalizarem o vosso androide para que o seu desempenho se adeque ao vosso estilo de jogo.

O combate é sem dúvida o ponto alto do jogo mas não pelo simples acto de dilacerar máquinas. Tal como a Platinum Games já nos tem vindo a habituar noutros jogos a seu cargo, a acção nunca acaba e os eventos continuam a escalar até alcançarem proporções épicas, sempre com dinâmicas de câmara que rapidamente mudam a forma como jogamos e que nos deixam colados ao ecrã. Graças a isso, Nier Automata conseguiu várias vezes transportar-me para o melhor que a indústria de videojogos já deitou cá para fora ao fazer-me transitar entre o estilo de, por exemplo Novastorm, Gradius, Zone of the Enders e claro, uma vez mais me lembro de Devil May Cry e Bayonetta. Tudo isto, sempre acompanhados por uma banda sonora de excelência, do melhor que já tive o prazer de ouvir e que muitas vezes me fez lembrar da de Ghost In the Shell. A conclusão dos combates bem como a resolução de quests conferem-nos os desejados pontos de experiência com os quais poderemos evoluir a nossa personagem mas e se morrermos? Bom se morrermos, perdemos os nossos chips implantados. Para os recuperar basta alcançar o nosso corpo sem morrer, pois caso contrário tal como acontece no Dark Souls perdemo-los para sempre. Parece alarmante, mas do início até ao fim, não morri mais do que três vezes e este factor não foi um problema. Saliento que isso foi na dificuldade Normal.

Por sua vez, também espalhados ao longo dos vastos cenários do jogo, irão encontrar corpos de outros jogadores. Rezem por eles e podem ajudá-los no seu jogo mas depois disso existem ainda mais duas interacções ao vosso dispor. Escolham Retrieve e podem recolher do seu corpo, dinheiro e pontos de experiência em conjunto com alguns bónus temporários que vos ajudarão em combate mas escolham Repair e façam do corpo do jogador em questão um poderoso aliado que vos acompanhará durante algum tempo.

Podia ficar horas a falar do porquê de este Nier: Automata ser para mim uma das grandes surpresas deste ano. Muito resumidamente, esta foi para mim uma experiência que aprendi a apreciá-la como um todo. Apesar de a história ser interessante e envolvente o facto é que passá-la com outro protagonista obriga à repetição dos mesmos encontros com bosses. Esta opção talvez não agrade a todos mas ainda assim vale a pena passar as três campanhas. Não só dão continuidade à vossa progressão no jogo, como ainda acabam por desfrutar de três diferentes formas de jogar Nier: Automata, bem como das sequências específicas de cada personagem que, qual puzzle, complementam e muito bem toda a história principal. Se a isso aliarmos o espectacular combate, bem como o misterioso mundo em que tem lugar, todo ele vasto e repleto de segredos, ao som de uma banda sonora incrível, de início ao fim foi fácil contornar qualquer repetição que se tentasse instalar. No meio de tudo isto, perguntam-me vocês se cheguei a perceber porque raio é que a 2B anda com um traje gótico todo maroto e como é que ela consegue lutar, correr e saltar de saltos-altos! Não. Mas deixar de jogar a Nier: Automata por causa disso é deixar passar ao lado mais um jogo de eleição que este ano de 2017 nos trouxe.



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