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David Fonseca | “Bowie 70”

Um tributo ao homem celeste

Já passaram quase cinquenta anos desde que Major Tom iniciou a sua Odisseia pelo Espaço, deixando para trás o triste planeta azul e levando consigo um destino incerto. Desde então, David Bowie ofereceu aos habitantes da Terra incontáveis obras de arte, aliando a música a textos dignos de um Nobel.

A estrela apagou-se no ano passado, deixando-nos ainda com “Blackstar” para digerir o seu desaparecimento. Hoje, podemos apenas sentir o orgulho vaidoso de termos sido contemporâneos de Bowie e celebrar a sua música, escutando-a sempre que possível.

De forma a homenagear o homem celeste, David Fonseca aceitou o convite de produzir um disco tributo, reescrevendo as treze faixas de “Bowie 70”, que já pode ser ouvido na íntegra através do Spotify, e escolhendo outros doze intérpretes. Tiago Bettencourt, Manuela Azevedo, Afonso Rodrigues, António Zambujo, Camané, Catarina Salinas, Marta Ren, Rita Redshoes, Márcia, Ana Moura, Aurea e Rui Reininho são os restantes actores desta peça e vale a pena enumerá-los a todos, já que reúnem grande parte da melhor música que se faz em Portugal. David Fonseca capturou a essência das canções e transformou-as em versões mais contemporâneas, mais rock e mais ajustadas a cada uma das vozes. Os intérpretes escolhidos, oriundos de várias vertentes e estilos musicais, oferecem a sua personalidade a cada um dos temas, ficando a sensação que os mesmos foram escritos especificamente para cada um deles.

O resultado vai desde o arrebatador, com a «Space Oddity» cantada por Camané, à lufada de «Starman» com Aurea, passando pela melancolia de «The man who sold the world», com Ana Moura. Contudo, será difícil relevar uma única canção pois o que David Fonseca nos apresenta é um álbum consistente, conciso e que cria dependência, para ouvir do princípio ao fim, vezes e vezes sem conta.

“Bowie 70” atravessa toda a era musical de David Bowie, desde 1969, quando inicia a sua jornada com «Space Oddity», a 2016, quando se despede de todos nós com «Lazarus», e é uma excelente porta de entrada no seu universo ou apenas uma forma diferente de revisitá-lo.



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