“O segredo do hidroavião” | Fernando Sobral

“O segredo do hidroavião” | Fernando Sobral

Mandarim à portuguesa

«Na Rua da Felicidade tudo se podia comprar: jogo, prostitutas, ópio, álcool ou outros estranhos vícios. Até o silêncio.»

Fernando Sobral, jornalista e escritor, une em “O segredo do hidroavião” (Edições Parsifal, 2014) essas duas facetas irmãs através da investigação de época e da reunião de factos reais, criando uma aventura ficcional baseada em acontecimentos históricos verdadeiros.

A ação tem lugar na Macau Portuguesa, no ano de 1948, desencadeada pela queda do hidroavião “Miss Macau”, naquela que terá sido a primeira tentativa de sequestro da história da aviação.

No ano seguinte dar-se-ia a fundação da República Popular da China, de carácter comunista e anticolonialista. Esta nova república denunciou o Tratado de Amizade e Comércio Sino-Português, declarando-o inválido.

O ouro parece ser o leitmotiv para que um grupo de Chineses tente o assalto do aparelho, mas conforme nos embrenhamos nas teias de intriga e interesses políticos, vamos percebendo que algo mais poderá ter precipitado o acontecimento…

Damasceno Alves é o personagem central: um Português que se radica em Macau, numa altura em que o território ainda estava sobre domínio nacional, mas onde o afastamento geográfico e cultural dava àquele lugar uma peculiaridade e dimensão sociais únicas.

Esta relação de factores é explorada pelo autor com mestria, descrevendo cenários e paisagens de forma natural como se Macau não fosse um local longínquo e esquecido, como se, de alguma maneira, o território não fizesse parte de um recanto amnésico do estado português.

A narrativa de época é soberba, mas o que justifica ainda mais a leitura deste “O segredo do hidroavião” é o thriller de aventura nele contido.



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