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One

O mais recente filme do realizador húngaro Peter Sparrow.

Baseado num ensaio de Stanislaw Lem, “One Human Minute”, “One” é o livro que dá título ao filme, no qual se condessa tudo o que acontece durante 60 segundos na realidade humana. Surrealista, mas com uma dimensão muito humana, Peter Sparrow transporta para o grande ecran o efeito do conhecimento dessa realidade ao segundo em cada ser humano.

Numa noite, numa livraria conhecida por ter raridades em termos de obras literárias, o seu conteúdo é esvazidado, e susbituido por exemplares de uma obra nunca antes vista, de autor desconhecido. São substituidos por “1”. Ao local, é chamado o Gabinete de Actividades Paranormais (RDI  – Reality of Paranormal Institute), para investigar o mistério que se apoderou naquela livraria. À medida que se tenta compreender o conteúdo do livro misterioso e de que forma o mesmo terá aparecido, a realidade começa a ganhar uma consistência cada vez mais distorcida.

A dimensão surrialista, ou a apoteose do irreal, são os ingredientes nesta abordagem de ficção cientifica, vertiginosamente gráfico e, por vezes, perturbador. A questão é: como se tornaria a vida do ser humano se souber o que acontece em cada 60 segundos da sua vivência quotidiana? Como lidar com esse conhecimento colossal? Não se lida. É a vertigem que se apodera.

O efeito que esse conhecimento tem em cada um dos personagens cria uma espécie de mundo paralelo, onde a felicidade e a tristeza são efémeras; mas, no fundo, como a realidade está distorcida, essa efemeridade não é perceptivel. Pelo menos, não é perceptível, no mundo da ignorância, no mundo das sombras, fora da luz planótica, como a que se fala na “Alegoria da Carvena”. O livro, “1”, poderá ser considerado a Bíblia do conhecimento, aquele tipo de conhecimento do qual não se pode ter acesso, porque não faz sentido. Que sentido terá conhecer o que se passa em 60 segundos fora de cada uma existência quotidiana?

Carregado de simbolismos, alguns com referência na Bíblia Sagrada, sendo que o que salta mais à vista é a maçã,  “One” é um filme forte emocionalmente e denso em termos de personagens, havendo lugar para todo o tipo de (des)construção: as que se rendem, as que já estão rendidas, e os outsiders…

Realizado num formato em HD, visualmente, “One”, consegue transmitir o quão perturbador o conhecimento de uma toda informação tem num ser humano, através de contanstes distorções gráficas e de um recurso ao ambiente sombrio, que revela aquele estado perturbador e de insconsciência aparente, sempre recorrente no filme.

“One”, no género do paranormal, faz lembrar os episódios mais sórdidos de X-Files, mas muito menos timido, que pede uma segunda volta, intercalado com uma leitura ao ensaio “One Human Minute”, no qual o filme foi baseado.

“One”, realizador Peter Sparrow, com Zoltán Mucsi, László Sinkó, Pál Mácsai, Vica Kerekes. Hungria. 91 minutos. 2009.



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