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Optimus Alive 2011 – Dia 2

Descarga rock.

A primeira certeza que foi possível ter logo após a entrada no recinto foi a de que a marca de 52000 pessoas que estiveram presentes, segundo a organização, no dia anterior, não seria atingida. A segunda certeza foi de que a maioria estava ali para ver os Foo Fighters.

Jimmy Eat World. A primeira paragem acontece no palco Optimus. O relógio marcava aproximadamente as 18h45 e a banda de Mesa, no estado norte-americano do Arizona, já actuava. Os Jimmy Eat World não são propriamente novatos nestas andanças. Ao todo contam com sete álbuns na sua carreira. O último dos quais data de 2010 (“Invented”) mas são os álbuns “Clarity” (1999) e “Bleed American” (2001) que continuam a granjear as melhores reacções. Assim, não foi com surpresa quando aos primeiros acordes de «Bleed American» ou «Sweetness» se consegue arrancar maior entusiasmo da plateia. No entanto, fica a sensação de que a banda parou no tempo e um sentimento de indiferença pelo que se ouviu acaba por ser a nota dominante.

Seasick Steve. Um festival reserva sempre algumas surpresas. No Alive 2011 tive várias, cada uma por motivos diferentes. A primeira teve lugar com Seasick Steve, porque não fazia ideia do que ia ver, confesso. Porém, bastaram uns minutos para ficar rendido. Seasick Steve é um bluesman, daqueles que transborda boa disposição. Um concerto de Seasick Steve não serve apenas para tocar (muito boa) música. Serve para confraternizar, para contar histórias. Seasick “alimenta-se” do público e isso foi por demais evidente na boa disposição do músico, que começou bem lá no alto, e terminou mais alto ainda. A música de Seasick Steve não tem nenhum segredo. A expressão what you see is what you get é perfeita. As letras são auto-biográficas, aliás todo o concerto se revelou auto-biográfico, com o seu apogeu no momento em que Steven Gene Wold – o verdadeiro nome do senhor – conta que nunca conheceu os seus pais mas que recentemente tinha descoberto que o avô era natural dos Açores e que, por isso, se sentia português. “I don’t understand a word of what you’re saying but I love you” – a sinceridade marcou pontos para este senhor. Vai estar de volta em breve.

My Chemical Romance. Visto que a prioridade seguinte eram os Bombay Bicycle Club, os My Chemical Romance, tiveram apenas direito a uma rápida visita de dez minutos. Logo, qualquer opinião seria pouco fundamentada mas foi notório que os mais entusiasmados com Gerard Way (de cabelo vermelho) e companhia eram as faixas etárias mais baixas.

Bombay Bicycle Club. Era algo injusta a tarefa destes rapazes londrinos, a de fazer a ponte entre o belo concerto de Seasick Steve e os mui esperados Primal Scream de Bobby Gillespie. O concerto não foi mau mas não deixou de ficar no ar que apenas passaram por ali para preencher o espaço entre os concertos.

Primal Scream. Bobby Gillespie é um animal de palco. Isso já é sabido. A juntar a isto os Primal Scream iam presentear o público com a interpretação, na íntegra, da sua obra-prima, “Screamadelica”. Durante o tempo que o concerto durou sentiu-se no ar uma aura ninety. Quase que era palpável. Durante aquela hora e tal se me dissessem que o ano era 1991 eu acreditava. “Screamadelica” continua a soar muitíssimo bem e o público, de uma faixa etária mais elevada, fez questão de o demonstrar. Para felicidade dos presentes os Primal Scream não se limitam a tocar temas do alinhamento de “Screamadelica” e oferecem-nos «Country Girl», entre outros. Foi a primeira grande descarga de rock da noite. Rock. Foi simplesmente isso. E foi excelente. Belo concerto. Se for assim de cada vez que cá vierem, então voltem sempre!

Iggy and the Stooges. O Iggy tem 64 anos. Custa a acreditar mas é verdade. A energia em palco é impressionante. Ao terceiro tema já escolhia pessoal da frente do palco para se juntar a ele. Foi a loucura em palco como decerto podem imaginar. A ocupação do espaço do palco pela banda também é diferente, com todos os Stooges e Iggy bem no meio, como que em plena comunhão. Foi um concerto pleno de força e brilhantemente executado. Iggy Pop faz inveja a muita gente. Foi um pouco de história ali mesmo à nossa frente e foi também a segunda descarga de rock da noite. Iggy rocks!

Os Golpes. A banda de Manuel Fúria está bem e recomenda-se, e terá sido para muitos dos presentes a outra surpresa da noite. Primeiro pela quantidade de público que arrastaram e em segundo pela meia-surpresa que apresentaram no final. Digo meia-surpresa porque quem siga com relativa atenção a carreira d’Os Golpes poderia desconfiar. O alinhamento foi repartido entre “Cruz Vermelha Sobre Fundo Branco” e o meio disco “G”, como os próprios Golpes se referem a ele. Descarga de rock cantada em português, com salpicos de Heróis do Mar aqui e The Strokes por ali. No final veio então a surpresa. A interpretação de «Paixão», dos Heróis do Mar, com a presença de Rui Pregal da Cunha. Apoteose entre o público, coros cantados em conjunto e concerto mais do que ganho.

Foo Fighters. Eles são bons. Acho que é justo começar por dizer isto. Dave Grohl entrou em palco com um sorriso e não mais o largou enquanto lá esteve em cima. É um entertainer com espírito de rocker. Vê-se que se sente como peixe na água neste papel. A cumplicidade entre Grohl, Hawkins e companhia denuncia os muitos anos em comum. O alinhamento é em regime de best-of (não se esperaria outra coisa) e o público agradece. Pelo meio deu para Grohl despejar um cerveja de penalti e para ouvir «Monkeyrench», «My Hero», «These Days», «Learn to Fly», «Times Like These» ou «Best of You» entre muitos outros hinos. Os Foo Fighters são daquelas bandas que estão na melhor fase da sua carreira. Seguros de si próprios e sem necessidade de provar o que quer que seja, a quem quer que seja. Em que cada concerto é uma oportunidade para desfrutar o melhor que a vida tem para lhes oferecer. Muitas são as bandas que almejam atingir tal patamar. Poucas são as que efectivamente o conseguem. Os Foo Fighters até parece que nem tiveram de suar muito para chegar ali. O concerto chega ao fim. Segue-se uma merecida ovação. Pára-se de bater palmas mas o sorriso não desaparece.

Bloody Bedroots Deathcrew 77. Perfeito para encerrar a noite. Os corpos não conseguem ficar parados perante tal descarga sonora. No final quem sofre é o corpo mas a mente agradece…



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