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Pan Sorbe

Se um dia virem alguém a maranhar uma colina lisboeta numa bicicleta azul celeste com uma mala de discos, vestindo uma jaleca, muito provavelmente é o Pan Sorbe ou daqui a uns tempos o chef Luís Almeida.

Este artigo está inserido na categoria Plus24h mas podia muito bem estar em Visuais & Barulhos ou Culto porque a temática aqui abordada ultrapassa a barreira dos discos e DJs. Pan Sorbe é um nome regular no circuito nocturno lisboeta há pelo menos dez anos, mas aqui vai ser feita uma abordagem transitória a esta sua actividade. Começemos por aí, como fio condutor.

Farto de estudar no 12º e “desmotivado por não estar bem enquadrado no agrupamento”, queria um emprego mais “cool e animador”, não a nível económico, mas que desse satisfação pessoal, acaba por encontrar na oportunidade de trabalhar numa loja de discos, a Valentim de Carvalho do Rossio em finais dos anos 90, um backoffice que longe de aborrecido mudaria a sua direcção.

Receber “a famosa importação”, ter tantos discos novos e inesperados de uma loja com uma selecção cuidada e que investia tranformam qualquer trabalho de catalogação de aborrecido a super interessante, para quem gosta de música. O contacto com a música de dança internacional nunca mais foi o mesmo, ultrapassando a experiência das compilações do Alcântara-Mar, local que frequentava e mesmo adorando o ritual não se “apercebia o que era o DJ”.

Tendo como colegas Pedro Santos, Zé Moura (Major), agora na FLUR, com 19 anos começa a ouvir coisas “fantásticas das quais nem sabia género ou que existiam”. Como na altura se podia “levava discos para casa por empréstimo” e assim começa a paixão pelos discos. Na transferência para a loja das Amoreiras acaba por conhecer Fernando Nunes, aka Dexter, pouco tempo depois acontece a transição para a cabine. Aconteceu a estória clássica “o Zé e o Dexter punham ambos música no Fremitus e quando o Fernando uma vez não pode ir perguntou-me se queria ir (…) como já tinha uma boa colecção e bagagem musical fui e o pessoal do bar gostou”.

Doze anos depois continua no activo pelo gosto “que nunca há de morrer”; não se considera um DJ, mas “alguém que gosta de música”, mas não “um musicólogo” porque não a questiona, procurando essencialmente a diversão. Nunca se associou a um género, pelo menos durante muito tempo, talvez enquanto residente do Op Art e membro da Pulsar; consumia muita música electrónica, mas esta levou-o a um caminho que não pretendia “está sempre a acontecer qualquer coisa” porque o desafio é “fundir isso tudo”. Não define nenhuma noite, depende do público e da música que selecciona no momento “olho para a pista, tento conquistá-la e divertir-me… porque se não tiver divertido não vai acontecer nada”.

À parte de convites pontuais, actualmente desenvolve a sua actividade em locais seleccionados:

Fiasco “Nasceu e só tocou no Lux… há 4 anos com o Nuno Rosa. No clube é música electrónica, mais relacionada com as novidades da House e Techno; no bar é freestyle onde gosto mais e consigo conciliar com o Nuno, nunca programamos chemgamos lá e resulta plenamente. É uma parceria e chama-se fiasco, mas a ideia é fugir ao termo… é um nome irónico.”

Radiokaput “Residência no Left, um bar bem familiar, infelizmente muito familiar devia tar mais crowd, com o Jorge (o dono) faz 3 anos e a ideia é o vale tudo, não ha nada que defina Rock, Pop, Electrónica, musica popular portuguesa… a única regra é ser em discos de 7”, o que complica a situação, mas para o digging é perfeito.”

Casino/Oxigénio “A ida ao Casino de Lisboa coincide com a ida à Rádio Oxigénio há 1 ano e meio e como sempre quis fazer rádio, pelo menos uma vez por mês tenho tenho uma hora de fama. Também  não precicso de mais antena, é perfeito.”

Odessa “Recebi uma proposta interessante, onde que posso criar um conceito de noite. Uma nova motivação num espaço fixe bem localizado (docas junto a Santa Apolónia)”

E no Estado Liquído onde estagiou também durante um mês no sushi bar do piso cimeiro. Aqui entra uma nova faceta; durante muito tempo viveu exclusivamente da música, mas isso implicava uma rotina fixa com horários desgastantes que lhe retiravam a boa disposição. Como não sei imaginava só DJ aos “50 anos, de chinelo no pé” voltou a estudar para terminar o 12º e começar uma nova carreira. Apesar de nunca ter tido “nada a ver com cozinha, sempre vivi sozinho na base do desenrasque das lasagnas do Pingo Doce que em 5 m ficam prontas. Imaginei que a minha vida não estava a ter um grande significado, tinha alcançado aquilo que queria na música e se pensarmos toda a gente gosta de cozinha porque todos temos de comer e é uma actividade primária, há sempre trabalho imagino-me numa cozinha porque é oposto da ribalta do DJ, não tenho de enfrentar público”.

Como a música é “um mundo que nunca mais acaba. Dentro da cozinha podes-te especializar em 1001 coisa sobremesas, entradas, carne, peixe… O curso ainda tem a vertente de pastelaria que é ainda mais complexa. As coisas começaram a sair bem, mas não sou cozinheiro sou aprendiz, num escalão muito básico onde ainda estou  a assimliar a linguagem culinária. Para alcançar um patamar muito alto é preciso de comecçar pelo mais básico.”

Achando um paralelismo com a atitude que sempre teve na música, mantém uma postura humilde, de “respeito por quem cá andava ou que apareceu, por isso consigo trabalhar com pessoas diferentes que entre chocam entre si… na cozinha é a mesma coisa a minha posição é sempre que ainda não sei, mas que estou dispnivel para aprender.” Apesar da professora dizer que tem jeito para massas, ainda não encontrou o seu forte sendo que o objectivo é trabalhar num Hotel, para o qual gostava de se deslocar de bicicleta.

Esta consiciência de lugar sai reforçada “mais uma bicicleta, menos um carro”, seduzido pela ética DIY da Massa Crítica e pelo amor à cidade de Lisboa, contraria as subidas com a sua fixie costumizada, juntando-se ao grupo durante certas tardes que ocupam massivamente as estradas mecanizadas. “Ir para o trabalho de bicicelta é espectacular, a nível ambiental, reunindo o pessoas que pensam da mesma maneira e fazer uma viagem  e parar o trânsito e indo ao nosso ritmo arrepia.

Independentemente da escolha, no futuro haverá sempre pratos e discos à mistura, sejam eles uns technics, vista alegre, vinis ou travões.



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