Patrick Watson @ LAV (15.01.2026)
Num janeiro inclemente, Patrick Watson, regressa a Lisboa, onde, como se nota pela rápida enchente da sala, continua a mobilizar muitos acólitos.
O canadiano já conhece bem Portugal, confessando a dada altura que, durante a pandemia, Lisboa foi a cidade de que mais sentiu saudades.
Começa a noite na penumbra, ao piano, fazendo crescer os sons à sua volta. Logo na segunda canção, chama Maro, para cantarem em conjunto «Here comes the river».
Foi percorrendo as canções com a leveza e a intensidade que lhe conhecemos, (apesar da pouca colaboração de um dos seus novos pedais a que deu um responso) que Patrick Watson nos entregou mais uma bela noite.
As histórias que traz consigo não ficam só nas canções, e durante a noite conta várias delas, nomeadamente a de Vivian Meir, a fotógrafa cujas fotografias só foram encontradas depois do seu desaparecimento e por uma mera casualidade, inspirando a canção «Ode to Vivian».
Admite que, em 40 anos de carreira sempre evitou falar de política, mas o estado do mundo está tão “lixado” que é impossível passar por ele sem olhar à nossa volta e ver “ the state of the world and the egomaniacs ruining it, (…) and everybody who can´t live in their home”, dedicando “To build a home” a todos aqueles que estão apenas a tentar viver na sua casa.
Avançou pela noite dentro com «Lighthouse», a sua voz pristina, iluminada.
Aproximando-se do final do concerto, havia ainda uma surpresa inusitada, quando alguém do público, numa troca de palavras mesmo à frente do palco, diz que trouxe a sua flauta para o acompanhar. Patrick Watson, divertido com a situação, faz a jovem subir ao palco e fá-la acompanhá-lo. Foi um gesto muito bonito, que resultou muito bem.
O concerto aproximava-se do fim, e Maro ainda sobe ao palco mais uma vez para o acompanhar novamente, depois do músico partilhar mais uma história sobre como costumava ouvir Madredeus e ficar encantado com as vozes.
Como já nos habituou, Patrick Watson foi tudo aquilo que já podemos esperar de uma atuação sua, espontâneo, preparado, emotivo, comunicativo, com a capacidade de recriar os ambientes que constrói com as suas canções delicadas, melodiosas e quase etéreas.
Não podemos deixar de referir que a sala do LAV, não permitiu que se pudesse usufruir de tudo o que poderia ter sido o concerto, a localização do palco estava desadequada, os dois pilares que ficam em frente ao palco e reduzem a visibilidade, tanto da plateia como no balcão. Havia também três bares muito próximos do palco que continuaram sempre a funcionar durante o concerto, fazendo demasiado barulho, para um concerto que pedia silêncio para ser possível aproveitar tudo o que estava a ser feito em palco. Ainda a lamentar, a abertura de um dos paineis laterais para a rua, para permitir o acesso a fumadores, tornando a experiência de uma sala de concertos, em pleno janeiro, bastante menos agradável e confortável do que deveria ser.
Apesar de todas estas condicionantes, Patrick Watson deixou mais um pouco da sua magia em Lisboa, que continuará sempre pronta para o receber.
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