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Pedala-se em Aveiro

As bicicletas já fazem parte da tradição da cidade.

O homem que pedala, que ped’alma
com o passado a tiracolo,
ao ar vivaz abre as narinas:
tem o por vir na pedaleira

Alexandre O’Neill

É ao olhar Aveiro que cito e recito o poema. E lá vão as bicicletas por todo o lado, com gente dos 8 aos 80 anos. Parece existir uma ped’alma de ciclistas que está no ar da cidade. António, de 76 anos, diz-nos: “Há muitos anos que todos os dias venho de casa até aqui e daqui a casa, 5km! E se assim não fosse, não andava ainda tão fresco.”

Conta-se que por ser difícil ter a um bom preço carro ou autocarro, e o terreno ser plano, as pessoas das regiões em volta da cidade, que são imensas, utilizavam esse meio de transporte para se deslocarem até ela, onde tinham acesso a coisas que nas aldeias não havia. É portanto um vício antigo, barato, saudável e relativamente fácil, pois em outras regiões do país, só os grandes atletas conseguiriam fazer os quilómetros que aqui se fazem. E para onde vão os ciclistas? Segundo as nossas “sondagens”, para todo o lado: para o emprego, para a universidade, para as compras, para o café, por ser saudável, para poupar, por divertimento, porque é mais rápido, porque se gosta de passear. Os motivos são variados e em cada esquina se vêem bicicletas e os seus cadeados.

Aveiro aproveitou algumas condições geográficas para tornar a cidade mais limpa e turisticamente atractiva criando as bicicletas gratuitas Bugas, há 11 anos atrás, 100% portuguesas. Qualquer um de nós pode usá-las na cidade das 9 às 19h sem mais complicações do que deixar nas lojas criadas para o efeito, um cartão de identificação. Cerca de 3000 pessoas, 4000 no Verão, por mês, aderem à iniciativa. Na sua maioria, são turistas e estudantes Erasmus. Um turista, de nome Hugo, vai circulando numa Buga com a sua namorada, porque viu “num livro de turismo e gostou muito da ideia”. Mas também o nosso povo aproveita para poupar, só que, ao que parece, prefere fazê-lo com a sua própria “pedaleira”, que pode utilizar sem restrições de horário.

Existem mais cidades à beira-mar, e existem mais cidades com bicicletas gratuitas, que seguiram o exemplo desta como Cascais (Bicas), Braga ou Évora, mas é aqui que, com a ajuda da ria e os seus moliceiros, se dá esse mistério que ajuda a tornar vivos e ritmados os dias na cidade, seja Inverno ou Verão, fim ou início do dia.

Talvez pelo aumento da gasolina ou pela insuficiente rede de transportes públicos na cidade, os ciclistas são vastos e é constante a melodia das correntes em movimento. Mas, existe, ainda assim, uma grande falta de ciclovias, o que poderia aumentar muito a adesão a este meio de transporte e que, segundo os lojistas da Buga, é um problema de falta de investimento dos autarcas.

Contribuidoras para a limpeza e leveza, para um “ar vivaz”, que torna Aveiro uma cidade onde a vida parece acontecer com menor esforço, as bicicletas deveriam com certeza tornar-se parte da cultura portuguesa.



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