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Peter Broderick + Federico Albanese @ Teatro Tivoli BBVA (24.05.2018)

O movimento Classical Waves encaminhou até ao anfiteatro do Tivoli um par de estimulantes compositores, que se inserem essencialmente na chamada música neo-clássica.

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A abrir o agradável serão tivemos Federico Albanese, com um novíssimo trabalho na bagagem, intitulado “By the Deep Sea”, lançado em Fevereiro. E foi nessas águas que o compositor italiano nos levou a passear, variando desde as correntes mais calmas até ao fundo do mar, passando por tormentas aqui e ali, com especial desta para o tema-título do referido disco. O piano de Federico Albanese vem acompanhado de uma panóplia de pedais e outros aparelhos electrónicos, como sequenciadores, que conferem maior profundidade e densidade às suas composições inteiramente instrumentais. Nesta actuação, uma estreia absoluta em solo nacional, Albanese conseguiu passar para o público o modo através do qual arquitectou “By the Deep Sea”, isto é, entrando num estado mental deveras intenso e meditativo, pelo qual terão viajado todos os que assistiram com a devida atenção ao concerto de abertura da noite.

Em seguida recebemos de braços abertos Peter Broderick, um rosto relativamente bem conhecido do público nacional, tendo passado ainda recentemente pelos nossos palcos em Novembro de 2016. O norte-americano é um autêntico sonoplasta, explorando ao máximo a sonoridade de todos os instrumentos, onde incluímos também a sua própria voz e os silêncios que permitem às melodias repousar ao longo das composições. Peter Broderick tende igualmente a ser uma caixinha de surpresa no que toca ao alinhamento, algo que vai muitas vezes decidindo ao sabor da corrente de cada palco. Desta feita arrancou praticamente com uma inesperada versão de «I Threw It All Away», de Bob Dylan, confessando que o relembrava da casa dos pais, onde aprendeu a apreciar a música do agora Nobel da Literatura. Em seguida aproveitou para dedicar «With the Notes in my Ears» ao amigo Casper Clausen, responsável por projectos como Efterklang ou Liima, e que têm vivido por Lisboa nos últimos tempos.
Em «As I Rover Out» desce até à plateia e entoa-a a capella, como é costume cantar-se nos bares da Irlanda, terra da sua companheira Brigid Mae Power e por onde habita actualmente Peter Broderick. Foi uma canção tradicional que decidiu aprendeu para poder cantar quando é chegada a sua vez em convívios nos pubs. Houve ainda espaço para marcar o décimo aniversário da sua casa musical dos últimos anos, a Erased Tapes, para o qual compôs o luminoso «The Perpetual Glow», disponível da compilação “1​+​1​=​X”.

Por entre as novidades e surpresas, escutámos temas habituais que Broderick traz para os concertos, como «Below It» ou «Colours of the Night». Ora sentado ao piano, ora de guitarra eléctrica a tiracolo, ora dançando com o violino, e inclusivamente a capella (no referido tema do cancioneiro irlandês), Broderick delicia-nos os ouvidos ininterruptamente, numa actuação que acaba previsivelmente por saber a pouco. Sempre.

Texto por Álvaro Graça e fotografia por José Eduardo Real.



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