Lead Press Shot_LCDSoundsystem

LCD Soundsystem @ Coliseu dos Recreios (19.06.2018)

Quando alguém bestial regressa.

Após o hiato de cinco anos, do qual ninguém poderia assegurar que ressuscitavam, os LCD Soundsystem tornaram-se uma pérola ainda mais preciosa, daí que não espantasse a marcação de três datas em Lisboa (algo incomum ainda que não inédito), com a bilheteira a não ter mãos a medir.  Na primeira das noites a temperatura no Coliseu estava bastante elevada, não só pelas expectativas da multidão que lotava completamente o recinto, como também pelo calor que pairou sobre a capital neste dia.

O aquecimento sonoro esteve a cargo de um DJ set de Shit Robot, que apresentou um leque de escolhas bem interessantes e condizentes com o acto que se seguiria. O DJ irlandês, que também pertence ao selo da DFA, esteve tão bem integrado que o concerto de LCD Soundsystem arrancou com a banda a executar uma autêntica passagem do set para a faixa de abertura «Get Innocuous». O som esteve potente desde o início e o público correspondeu de imediato, mostrando que as letras estava na ponta da língua e os ritmos na memória muscular do corpo. Isso foi ainda mais notório em «Tribulations», onde o coro popular soou por todo o Coliseu, e durante o qual até corações saltaram, ainda que em forma de balão.

O regresso dos LCD Soundsystem à vida activa mostrou fazer sentido porque, além da referida reacção estrondosa do público, as músicas novas pertences a “American Dream” (álbum concebido posteriormente à paragem da banda em 2011) foram recebidas com o mesmo entusiasmo que as malhas mais antigas. E, em cada momento sónico mais explosivo, os focos apontavam literalmente para a enorme bola de espelhos pendurada em palco, garantido um efeito extraordinário. O melhor exemplo disso ocorreu em «Dance Yrself Clean».

James Murphy foi um cicerone impecável, dirigindo-se sempre afavelmente à plateia, ainda que se queixasse do povo português por o tentarem engordar através de carradas de pastéis de nata. Agradeceu, meio espantado, o facto de todos dançarem alegremente mesmo ao longo de canções com espectros melancólicos. O líder dos LCD Soundsystem tem um humor bastante notório, e o que mais se fez notar no primeiro episódio desta residência no Coliseu foi o seu humor físico. Teve sempre o movimento ou gesto certo no momento apropriado das músicas, além de parecer resistir ao longo da noite a não desmantelar todo o vasto equipamento que se encontrava montado em palco. Além das recorrentes picardias para com Pat Mahoney (o baterista) e a respectiva crew, a quem dedicou um dos temas (e até uma amostra de «Hot in Herre» de Nelly, inspirada na atmosfera que se respirava na sala).

Lisboa foi o palco final duma digressão que entreteve os LCD Soundsystem durante dois anos e meio. E valeu a pena a longa espera para os reencontrarmos porque eles são de facto someone great.



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