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Polvo

12 anos de jejum foram finalmente quebrados.

O nome engana. Pelo menos enganou a minha pessoa. Em primeiro lugar porque não conhecia a banda até há relativamente pouco tempo (falha minha…). Em segundo lugar, não conhecendo a origem da banda nem a sua história, facilmente se imaginam histórias relacionadas com o nome. Antes de ir ao que interessa, vamos colocar os pontos nos Is. Polvo, neste caso, não se refere ao cefalópode. Neste caso é uma palavra castelhana para pó, ou sexo se for lida como sendo calão.

Agora um pouco de história.

Os norte-americanos Polvo são originários de Chapel Hill, na Carolina do Norte. Em 2010 comemorarão 20 anos sobre a sua data de formação, se bem que entre 1998 e 2007 se tenha verificado um longo hiato. Quando criaram a banda, em 1990, faziam parte dela os vocalistas e guitarristas Ash Bowie e Dave Brylawski, o baixista Steve Popson e o baterista Eddie Watkins.

Os Polvo nunca foram uma banda de consensos. Nunca foram dados a grandes aparatos. Nunca tiveram um sucesso retumbante. Talvez seja por isso que, desde o seu regresso, em 2007, têm vindo a despertar uma curiosidade cada vez maior. A imensa minoria de pessoas apreciadoras da sua música ficou, subitamente, maior. A internet tem destas coisas.

Mas voltemos à história, e ao período referente à primeira vida da banda (chamemos-lhe assim), compreendido entre 1990 e 1998. Durante este período, os Polvo foram uma banda extremamente profícua. Editaram com uma regularidade impressionante e nos mais diversos formatos. Álbuns, EPs, singles e split singles. Editaram sempre por labels indie. Primeiro pela Merge, que conta no seu catálogo bandas como os Arcade Fire, Neutral Milk Hotel ou Camera Obscura entre muitas outras coisas boas. Depois seguiu-se a Touch and Go, onde figuram nomes como CocoRosie, Blonde Redhead ou TV On The Radio, novamente, entre muitas outras coisas boas.

Os Polvo são, na sua essência, uma banda de guitarras. Como qualquer banda que de alguma forma cria o seu espaço, ganha o seu nicho, ganha reconhecimento, ganha também os seus detractores. O som dos Polvo caracteriza-se, e passo a citar porque acho que não tinha a capacidade de sumarizar o som da banda em tão poucas palavras (pelo menos dentro de um intervalo de tempo razoável): “(…) harmonias de guitarras complexas e ritmadas, complementadas por letras crípticas e, por vezes, surrealistas”. Devido à imprevisibilidade do seu som foram acusados de não conseguirem tocar com guitarras correctamente afinadas. Críticas que pouco ou nada incomodaram a banda, que sempre demonstrou uma forma muito própria de estar na música (talvez outros pudessem aprender com o seu exemplo).

Na maioria dos casos, quando se fala na separação de uma banda, esta fica a dever-se a divergências criativas ou a desentendimentos pessoais. Também aqui os Polvo são diferentes da maioria. Quase que apetece escrever simplesmente que o desmembramento da banda aconteceu porque sim. O primeiro sinal foi dado em 1996, com o abandono amigável do baterista Eddie Watkins para seguir uma carreira e uma vida familiar. Diferentes interesses e prioridades conduziram a que os restantes elementos começassem também a afastar-se entre si. Quando muitos pensaram que os Polvo se tinham desintegrado, ou estavam prestes a fazer isso mesmo, eis que a banda decide voltar-se a reunir em 1997 para gravar um novo álbum (“Shapes”), com Brian Walsby como o novo guitarrista. Foi sol de pouca dura. A digressão de promoção ao novo álbum acabou por ganhar o cariz de uma digressão de despedida. O último concerto teve lugar no clube Cat’s Cradle, na cidade natal da banda. Depois disso não mais se voltou a ouvir falar dos Polvo como banda. Até há algum tempo atrás…

O regresso ocorreu em 2008. A desculpa perfeita para se voltarem a juntar para tocar ao vivo surgiu sob a forma de convites para tocar no ATP 2008 (All Tomorrow Parties) e no Primavera Sound 2008, em Barcelona. Brian Quast surgiu como novo baterista. A dupla reunião deixou o bichinho bem vivo, pelo que daí até surgirem mais datas foi um pequeno passo. Criatividade também nunca foi problema para os Polvo. Novas composições também não tardaram a aparecer. O mote para a gravação do primeiro álbum em 12 anos estava dado.

“Prism”, o novo álbum, marcou também o regresso à sua editora original, a Merge. Mas bom, bom seria uma visita dos rapazes a Portugal.



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