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Pra Leste de Carris #2

O conforto da primeira cama

Chegar à Suíça é conhecer desde logo um paraíso no que à qualidade de vida diz respeito. Atrever-me-ia a dizer que foi aqui que encontrámos os melhores e os mais confortáveis comboios de todo o inter-rail. Já passava das 21h quando aterrámos em Genebra e procurámos imediatamente o transporte para Berna, onde iríamos passar a noite.

Só então nos lembrámos de verificar tudo: onde era o hostel que tínhamos reservado, como íamos lá parar, até que horas podíamos fazer o check in… Até que horas podíamos fazer o check in? Até dali a uma hora. À partida não haveria problema, não fosse o comboio chegar à cidade meia hora depois da recepção do hostel fechar.

Calma. Foi o que dissemos para nós próprios. Às tantas é só uma hora meramente indicativa. Vamos chegar e ter todo o staff à nossa espera. Mas depois verificámos as restantes reservas e percebemos que não, que aquele era o único alojamento que tinha um horário limite de entrada.

Entre «o que é que fazemos agora?» e «já estou mesmo a ver que vamos acabar a dormir na rua», achámos por bem desdramatizar e telefonar. Atendeu uma senhora, de uma simpatia inimaginável, que nos explicou que teria mesmo que sair à hora prevista porque era a única a tomar conta do sítio à noite e tinha que voltar para casa. «Não tem problema, deixo-vos a chave no bar em baixo, basta dizerem que são hóspedes». Ah, o alívio de uma solução tão simples.

Naquela altura, já só sonhava com uma cama. Não precisava de ser a mais confortável à face da terra. Desde que pudesse deitar-me e dormir já me dava por muito satisfeita.

Chegados ao hostel, fomos recebidos pela mesma senhora com quem tínhamos falado ao telemóvel. Na casa dos 60, mostrou-se super despachada, com um espírito mais jovem do que algumas pessoas da minha idade. Tinha esperado por nós, para nos dar as boas-vindas. Tudo isto e o ambiente familiar do sítio fizeram-nos sentir em casa.

O que não nos lembrámos é que a Suíça é, por excelência, a terra das horas. A partir das 6h da manhã, todos os relógios da cidade resolveram tocar. E repetir a brincadeira a cada hora. Preferi pensar que estavam a chamar-nos para conhecer Berna e não que tinham prazer em acordar viajantes pouco habituados a estas andanças.

E ainda bem que dormimos assim tão bem. Passeámos pela capital suíça durante um dia inteiro e, diga-se de passagem, mais tempo do que era necessário. Só mais à frente aprenderíamos a calcular melhor o tempo que valia a pena estar em cada sítio. Depois disso, a viagem para Viena – o próximo destino – foi infernal e acabou comigo. Sem poder andar, literalmente.



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