Rui Unas

Rui Unas

«Eu não sou Super-homem. Descobri isso aos 5 anos quando me atirei do 2º andar de um prédio em construção com um lençol a servir de capa.»

A propósito do lançamento do incrível “Nascido e Criado na Margem Sul”, livro que teve já o devido – e merecido – destaque na Rua de Baixo, estivemos à conversa com o grande Rui Unas, que ainda assim recusa o epíteto de ícone da margem sul. Se ao ler o que se segue se vir no meio de um ataque de riso incontido, não corra logo para as Urgências.

Rui Unas

Uma pergunta séria (aproveita esta porque as próximas é sempre a baixar o nível): sentes realmente que ser da margem sul te torna diferente dos demais, ou neste caso, daqueles que não o são?

Não. As pessoas da Margem Sul são iguais às outras pessoas que não são da Margem Sul. Ok… Se calhar ouvimos mais Kizomba, dançamos mais Kuduro, vamos mais vezes à esquadra da polícia fazer queixa, temos maior capacidade de resistência em ficar duas horas parado no trânsito da ponte do que as outras pessoas.

Consegues resumir, em poucas palavras, a mística de locais como Coina ou Cova da Piedade?

Coina, ao contrário da Cova da Piedade, é uma cova sem piedade.

Consideras que o Barreiro, sabendo que surgiram lá nomes como Ruth Marlene, Marco Paulo ou os Ibéria, é um dos pontos de referência do panorama artístico nacional?

Não. Se incluirmos a Cruz de Pau como local predilecto de Alex, o Mister Gay todos os outros locais não são referência.

Apoiarias uma eventual candidatura de Paio Pires à consideração de património mundial da humanidade?

Não. Isso seria estúpido. Primeiro urge ter a praia do Seixal com bandeira azul.

Como foi crescer em locais tão especiais? Achas que isso te tornou diferente, tipo super-homem?

Eu não sou Super-homem. Descobri isso aos 5 anos quando me atirei do 2º andar de um prédio em construção com um lençol a servir de capa.

A kizomba é um estilo de vida ou apenas uma forma de impressionar “as damas”?

Nem uma coisa nem outra. É apenas um pretexto para nos roçarmos alarvemente numa dama.

No “cabaret da coxa” intrigava o facto de não entrar qualquer coxa, consegues explicar? Existe algum motivo particular para as coxas não quererem nada com alguém do teu gabarito?

Elas, de facto, não são coxas quando querem alguma coisa comigo… mas dêem-me duas horas com uma no Motel IC32 no Montijo e vais ver como saem de lá a coxear.

Quando eras (mais) jovem, sonhavas vir a ser, um dia, o ícone da margem sul?

Não. Sonhava ser soldador na extinta Setenave.



Também poderás gostar


Pin It on Pinterest

Share This