Sabrina (1954), Billy Wilder

“Sabrina”

A sagaz e borbulhante comédia romântica

Tendo encantado o mundo com a sua performance em “Roman Holiday”, Audrey Hepburn voltaria a fazer o mesmo na agradável comédia romântica “Sabrina” em 1954. Nada disto seria uma surpresa, excepto pelo facto de o argumento deste filme ser bastante fraco, em última análise, deveras óbvio. O que salva o filme são as interpretações dos seus protagonistas.

“Sabrina”, por si só, permanece extremamente fixado no seu argumento, mesmo que seja cómico e arquetipicamente idealizado; ao fim de quinze minutos qualquer espectador terá previsto o fim. A realização de Billy Wilder dá um charme ao pelotão de motoristas, mordomos, empregadas domésticas, e outros funcionários que acompanham o desgosto inicial de Sabrina e a sua auto-reinvenção. Ainda assim, o seu trabalho de direcção não parece menos intimidado que o argumento que co-escreveu, principalmente quando se trata de engajar o fulminante e entrincheirado snobismo dos Larrabees. Há que salientar que este é um elemento fundamental do argumento e núcleo temático do qual Wilder tenta, a todo o custo, desviar a nossa atenção. É também estranhamente mal sucedido em persuadir Humphrey Bogart por entre as tonalidades de leveza que marcam os filmes do género romântico.

O filme é tão maravilhoso visualmente, que chegamos a pensar se Hal Pereira e Edith Head não terão inventado o preto-e-branco, no meio de algum brilhante momento de inspiração divina. Contudo, há que ter em conta que este factor poderia ter prejudicado a actriz, particularmente se se pensar nos espectadores que esperavam que ela transcendesse os limites do vítreo, da não sexualidade e do esplendor da arte dirigida. Na verdade, é a postura imaculada de Hepburn que permite que o sublime esquema visual funcione, já que uma actriz menos refinada poderia ter feito com que o glamour do filme se tornasse arrogante ou compensador de outras falhas.

Billy Wilder e os seus co-autores fornecem a maior parte do que há de melhor em “Sabrina”, mas também são responsáveis por aquilo que é mais evasivo, de mau gosto e inadequado. Ainda assim, este filme faz-nos sentir bem. A extravagância da família Larrabee evoca um fabuloso mundo de sonhos, iates, mordomos e xerez. A sofisticação e inocência de Sabrina é cativante. O resultado é um nostálgico e acolhedor filme.



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