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Santigold | “Master of My Make Believe”

Batidas cépticas

Santigold é Santi White, uma artista perfeccionista, uma mulher de armas e uma personalidade afável. O seu primeiro álbum – “Santogold” (como se apelidava na altura do lançamento) saiu há quatro anos. Contudo, parece que foi há mais tempo. Uma coisa é certa: durante este intervalo ninguém se esqueceu de Santigold. O seu público não estagnou, foi crescendo, graças à digressão de dois anos que a artista realizou para garantir isso mesmo, inclusive, com M.I.A., cantora com a qual é frequentemente comparada pelo registo sonoro bastante parecido, isto é, pela fusão de estilos hip-hop, dub, pop e electrónicos.

“Master of My Make Believe” é o seu segundo álbum e é um statement. Lançado no início do mês de Maio, é um ensaio com mensagens de força e de carácter, mas que também reúne dúvidas e antíteses.

A capa do álbum é um reflexo dessas contradições, onde percebemos referências defensivas, mafiosas e bélicas. Santigold reencarnou todos os personagens que estão presentes na fotografia: as guardiãs femininas, cujos fatos dourados foram desenhados por Alexander Wang; o homem chefe da máfia ao centro, que ostenta uma pose altiva e imperiosa; e, como tela de fundo, vemos Santi White vestida de oficial do exército pintada num quadro.

A capa foi fotografada por Jason Schmidt e a direcção artística é de Kehinde Wiley, um artista conhecido pelas referências históricas que utiliza na sua obra, e que, neste contexto em particular, inspirou-se no retrato de Sir Banastre Tarleton de Sir Joshua Reynolds (se alguém quiser ir pesquisar). Esta capa surgiu no seguimento do último trabalho de Wiley, no qual enfatiza a marginalização da mulher afro-americana dentro da história de arte e dos ideais de beleza feminina na sociedade.

Falámos da casca, agora vamos ao sumo. É um álbum recheado de colaborações e de nomes conceituados. Editado pela Atlantic Records, o álbum conta com produção de Diplo, Switch e John Hill, e dos novos parceiros de estúdio de Santigold: Q-Tip, Nick Zinner dos Yeah Yeah Yeahs, Dave Sitek dos TV on the Radio, Ricky Blaze, Greg Kurstin e, ainda, Boys Noize.

Dentro deste segmento tão rico e tão forte profissionalmente, a primeira música não é excepção: chama-se «Go!» e é cantada em conjunto com Karen O dos Yeah Yeah Yeahs. É uma muralha impenetrável que impõe respeito, construída por beats progressivos.

Existem batidas contagiantes em quase todas as faixas, porém, se pudéssemos caracterizar visualmente o seu álbum, ele faria um “U”, porque começa quente com «Go!», arrefece no meio, e depois volta a aquecer, terminando com «Big Mouth».

«Big Mouth» tem um ar irónico, fornecido pelo tom de voz de Santigold. A música é enriquecida por um som africano e tribal, o qual se completa com referências aos sambas de enredo, culturas que graças a nós estão interligadas. Já «Freak Like Me» alude ao pop e ao girly e «Look at These Hoes» bebe do rap e da ligação electro-dub-trónica.

O vídeoclip da faixa «Disparate Youth» foi gravado na Jamaica, lugar que a cantora reconhece ser o local ideal longe das grandes cidades para deixar que a criatividade chegue “ao de cima”.

Talvez seja isso que leve Santigold a sentir-se descrente: a frieza das relações, a superficialidade das cidades e a distância da globalização. Santi White precisa de passar mais algum tempo longe das grandes metrópoles. Precisa de passar algum tempo sozinha, porque admite estar ainda a encontrar-se e, apesar deste lançamento, ela está de momento desapontada com o estado da Música.

Continua a fazer Música mas confessa que não acredita nela. Desta forma, “Master of My Make Believe” é um alerta para a consciência individual, para que cada um veja o mundo de forma diferente e crie a sua própria realidade, assim como ela também o está a tentar fazer.



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